Mundo financeiro teme “emaranhado de obrigações” da chinesa Evergrande; aposta é por ajuda urgente de governo chinês; mercados em queda

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A consultoria britânica TS Lombard divulgou um relatório nesta 2ª feira (20.set.2021) que expõe o risco financeiro da Evergrande, 2ª maior empresa da China do setor imobiliário, pelo “emaranhado de obrigações” com bancos, detentores de títulos de dívida, fornecedores, investidores e proprietários de imóveis.© Reprodução / Wikipedia Segundo a TS Lombard, calote da Evergrande causará o maior choque para as perpsectivas econômicas da China

Há uma tensão do mercado financeiro de que a incorporadora chinesa dê um calote de US$ 305 bilhões, valor contabilizado em passivos da empresa que devem ser pagos até 5ª feira (23.set.2021). As ações da Evergrande caíram ao seu menor nível em 11 anos, o que afetou de maneira negativa o Ibovespa e encareceu o dólar.

A TS alerta que a situação é uma fonte que já se dissemina, de forma gradual, pela economia chinesa e que, olhando a longo prazo, a Evergrande causará o maior choque para as perspectivas econômicas do país, além de um efeito cascata no sistema financeiro do mundo.

“Com defaults seletivos de juros e principal acontecendo praticamente todos os dias, uma interrupção de pagamento mais ampla é iminente”, diz a instituição.

O relatório cita que a empresa chinesa foi orientada a adotar, como prioridade, o cumprimento das obrigações de pré-venda com os compradores de imóveis, mas adverte que todo o setor imobiliário irá enfrentar um risco diferente.

Segundo a TS Lombard, novos compradores em potencial estarão “cada vez mais relutantes” em destinar suas economias para “outras imobiliárias em negócios de pré-venda”, em especial se esperam que os preços das moradias não aumentem.

“Os detalhes da possível reestruturação da Evergrande ainda são desconhecidos, mas as consequências econômicas da falência da empresa podem ser mais facilmente previstas. Com perspectivas incertas para imóveis e perspectiva de preços estagnados, novas vendas [de imóveis] vão afundar mais”, afirma a consultora.

Já que empresas do setor imobiliário, como a Evergrande, dependem atualmente de pré-vendas para garantir mais da metade de seu financiamento, a TS avalia que a desaceleração em curso na atividade imobiliária na China será agravada em 2022.

Por outro lado, a consultora britânica considera que o governo da China buscará minimizar os “riscos sistêmicos”, mas alerta ser “improvável que novos estímulos de política” sejam aplicados antes da reunião do comitê executivo do Partido Comunista chinês, prevista para novembro.

A TS também afirma que a necessidade de estímulos fiscais e monetários é um “imperativo político claro” na China, porém, “o que é menos claro é o timing desses estímulos”.

Segundo a instituição, embora a próxima intervenção do governo apoie a atividade do setor no curto prazo, “os mercados vão continuar voláteis devido à incerteza sobre a exposição de empresas individuais e bancos à Evergrande e sobre os efeitos potenciais na demanda por commodities, que são os principais insumos do setor”.