Crise no Planalto desperta coral de vozes a favor da razoabilidade e da governabilidade

A crise aberta dentro do Palácio do Planalto, em torno da decantada exoneração do secretário-geral da Presidência, ministro Gustavo Bebbiano, despertou, ao longo desta quinta-feira 14, um coro de vozes do campo governista que alcançaram um mesmo tom em comum: o da razoabilidade a favor da boa governança do País.

Em lugar de atiçarem a fogueira acesa pelos tuítes do vereador Carlos Bolsonaro, que classificou Bebbiano, ontem, de mentiroso, obtendo a concordância do pai, o presidente Jair Bolsonaro, declarada em entrevista à Rede Record, as vozes pacificadoras se multiplicaram ao longo do dia.

O chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, parece ter sido o primeiro a entender a extensão que a crise aberta pelo tiroteio via mídia poderia alcançar. “O ministro é um homem, sério, correto e honesto”, declarou o articulador político do governo, atento para os problemas que a falta de Bebbiano podem acarretar para o governo na relação com o Congresso e, neste sentido, na aprovação das reformas da economia.

O senador Major Olímpio (PSL-SP) deixou o discurso radical de lado e também se posicionou pela governança. Ele afirmou, em entrevista, que não existe, até o momento, prova de “responsabilidade direta” de Bebbiano no caso dos desvios de recursos do Fundo Partidário praticados pelo PSL, durante a campanha eleitoral, que vão sendo apontados agora pela mídia. “Seria impossível para Bebbiano, que tinha esse papel de presidente do partido e acompanhava permanentemente a candidatura de Jair, fazer o controle disso, até porque não estava dentro da sua responsabilidade”. Em adição, Major Olímpio lembrou que o ministro “é da absoluta confiança do presidente, uma escolha pessoal”. Em sua aposta pela superação da crise, o senador paulista afirmou ver “total possibilidade de a situação ser contornada” em uma conversa pessoal entre o presidente e seu auxiliar.

O mesmo entendimento foi apresentado, pouco mais tarde, pelo vice-presidente Hamilton Mourão. “Não será boa a saída de Bebbiano assim”, afirmou Mourão em conversa com a repórter Andrea Sadi, da Rede Globo. “Ele sempre foi muito respeitoso comigo, gosto dele”, apoiou o general indemissível, como ele mesmo gosta de lembrar. “Acho que ele se sustenta”.

A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) trocou, nesta quinta 14, uma postura que vinha sendo de incendiária pela de bombeira. Ainda assim, em manifestação sobre o caso Bebbiano, mandou seu recado para os filhos do presidente Bolsonaro, em especial Carlos, pivô da crise. “Não pode se misturar as coisas. Filho de presidente é filho de presidente. Temos que tomar cuidado para não fazer puxadinho da Presidência da República dentro de casa para expor um membro do alto escalão do governo dessa forma”, disse Joice, referindo-se a Bebbiano.

A deputada estadual paulista Janaína Paschoal, também do PSL, aderiu à linha favorável à retomada da governança assinalando que “não adianta cortar cabeças sem uma apuração”, porque esse tipo de gesto apenas deixaria a relação política de Bolsonaro com seu equipe mais tensa e improdutiva. “O fato de Bebbiano ter assinado a liberação do dinheiro, na condição de presidente do partido, não torna automaticamente culpado”, completou.

O líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), também deu uma contribuição positiva, do ponto de vista das forças governistas, para a superação da crise. Ele criticou o debate público. “Esse caso tem de ser resolvido na cozinha do Planalto”, resumiu ele.Durante a tarde, o vice-presidente Mourão voltou ao assunto, igualmente pedindo para que a questão Bebbiano seja resolvida intramuros. “Esse debate em público é muito desagradável”, definiu Mourão. obal events