Mourão admite que se Bolsonaro “errar demais”, “conta” irá para as Forças Armadas

O vice-presidente Hamilton Mourão disse neste domingo (7) em evento nos Estados Unidos que, se o governo Jair Bolsonaro “errar demais”, a “conta” irá para as Forças Armadas.

Ele fez a afirmação em resposta a uma pergunta sobre a presença de militares no governo durante um painel da Brazil Conference, em Boston, evento organizado por estudantes da Universidade de Harvard e do Massachussetts Institute of Technology (MIT).

Neste domingo, foi divulgada pesquisa do instituto Datafolha, segundo a qual a avaliação do governo é a pior de um presidente em início de mandato desde 1990.

Questionado por um estudante sobre a possibilidade de a presença de vários militares em cargos e funções de governo “corroer” a “unidade” e a “legitimidade” das Forças Armadas, Mourão afirmou que o governo não pode errar demais.

Ele também se referiu a uma conversa com Bolsonaro no dia do segundo turno da eleição, depois de confirmada a vitória nas urnas.

“E as palavras que o presidente falou no domingo à noite, no dia 28 de outubro, quando fomos eleitos. Ele olhou pra mim e disse assim: ‘Nós não podemos errar’”, afirmou Mourão.

“O presidente Bolsonaro, 30 anos fora das Forças Armadas, ele é um político, mais político do que um militar, mas carrega dentro de si obviamente toda aquela formação que nós tivemos”, afirmou.

Segundo Mourão, os militares chamados a compor o governo estão todos na reserva, e as Forças Armadas “continuam com a sua missão constitucional de defesa da Pátria”.

Mourão também foi questionado sobre a perspectiva de uma reforma educacional, levando em consideração a situação do Ministério da Educação.

O vice-presidente reiterou a declaração dada por Bolsonaro e disse que a pasta passa por problemas. Durante café da manhã com jornalistas na sexta-feira (5), o presidente afirmou que “está bastante claro” que a gestão no ministério “não está dando certo”.

“Estamos com um problema no Ministério da Educação. O presidente vai tomar uma decisão a esse respeito amanhã [segunda-feira, 8] de acordo com o que ele definiu. E a nossa visão, nosso governo, nós temos de investir pesado na educação básica. Investimos muito no ensino superior e pouco na educação básica”, disse Mourão.

“Não sei se o ministro Vélez vai ser mantido, se o presidente vai mudá-lo, vai colocar outra pessoa, mas nós temos que resolver esse problema de imediato”, afirmou.

O vice-presidente ainda disse que a intenção do governo é buscar “maiorias transitórias” no Congresso, associadas a reformas.

Em sua fala, Mourão admitiu que a proposta inicial, de negociar com bancadas temáticas, não deu certo.