LONDRINA, PR, 17.04.2020 - Sepultameno, Covid-19 - Em meio a pandemia do COVID 19, Londrina registra quinta morte pelo novo coronavírus, sepultamento aconteceu no cemitério Jardim da Saudade Zona Norte de Londrina, 17/04/2020. - (Foto: Isaac Fontana/FramePhoto/Folhapress)

Mortes no Brasil em 2020 crescem 14,9% sobre 2019 em razão da pandemia; decisão tardia do governo em vacinar custou vidas

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Com a interferência da pandemia do coronavírus em diversos índices de saúde da população do país, já era esperado um crescimento no número óbitos entre brasileiros. Mas, além disso, o período também foi marcado pela queda nas taxas de natalidade e na quantidade de casamentos e uniões civis.

Os dados fazem parte da pesquisa anual Estatística de Registros Civis 2020, realizada pelo IBGE e divulgada nesta semana. O estudo deriva de informação de cartórios, tabelionatos e varas de todo o país e mostra que 1.510.068 mortes foram registradas em todo o território brasileiro apenas no ano passado, com crescimento de 14,9 % em relação ao total de 2019.

Era uma taxa que já vinha em ascensão de anos anteriores, mas não de forma tão pronunciada. De 2018 para 2019, o crescimento no número de mortes foi de 2,6%, por exemplo.

A faixa de idade que mais perdeu brasileiros nesse período fica entre 60 a 74, com um índice de crescimento de 21,1%. Em contraposição, houve queda no número de morte de crianças e adolescentes com até 14 anos, 15,1% menor em relação ao ano anterior.

Mas a população jovem também sofreu perdas mais numerosas. Entre aqueles que têm entre 15 a 19 anos, o crescimento na mortalidade, sempre em comparação a 2019, foi de 7,9%. Entre 30 a 44, houve aumento de 15,2%. Entre pessoas de 45 a 59, subiu 18% e, de 75 a 89 anos, 13,8%.

A taxa negativa para quem tem até 14 anos (com declive de 15,1%) foi puxada, em parte, pelo número mais baixo de nascimentos -quanto menos brasileiros nascem em um período, maior a chance de a taxa de mortalidade diminuir, o que foi considerado em texto de apresentação do estudo.

A queda no número de registro de nascimentos -total de 2.678.992 no ano- foi de 4,7%. Assim sendo, também diminuiu a mortalidade de recém-nascidos, com declínio de 13,9% para quem tinha menos de 1 anos.

O total de 2.678.992 se refere a crianças nascidas em 2020 e registradas até o 1º trimestre de 2021, sendo que aproximadamente 2% correspondem a pessoas nascidas em anos anteriores e que, muitas vezes, não sabem dizer em que ano nasceram.

Segundo o estudo, a declaração de emergência em saúde pública de importância nacional (Espin) e a adoção de medidas restritivas para contenção do coronavírus, incluindo restrições de horários no serviço público, “impôs mudanças no funcionamento dos cartórios em todo o território nacional no período”.