‘Mito’ sem motivos para comemorar: popularidade no início da gestão perde para Dilma, Lula e FHC

BR: Em comparação com os inícios das gestões dos ex-presidentes Fernando Henrique, Lula e Dilma Rousseff, a popularidade de Jair Bolsonaro é inferior em mais de dez pontos percentuais à da petista que sofreu impeachment, em 2016, e nada menos que 18 e 19 pontos mais baixa em relação, respectivamente, às do presidente que está preso e daquele que gosta de passear por Paris.

Pesquisas dos institutos Sensus e MDA mostram, comparativamente, que os 38,9% de ótimo e bom obtidos agora por Bolsonaro não são motivo para nenhuma comemoração. No mesmo mês de fevereiro, em 1995, o tucano FHC ostentava no Sensus a marca de 57% redondos no mesmo quesito, surfando a onda do então recém lançado plano Real. Ao final de janeiro de 2003, Lula chegava a um empate técnico com o antecessor, marcando 56,6% de aprovações à gestão que começava sob o signo da paz e amor, além do programa Fome Zero. No primeiro dado disponível da gestão inaugural de Dilma, a polêmica presidente exibia sustentados 49,1% em agosto de 2011, índice bem melhor à do Bolsonaro que praticamente acabou de envergar a faixa presidencial pela primeira vez.

As marchas e contra-marchas dos discursos do primeiro escalão do governo, a dura proposta de reforma da Previdência, a tumultuada interferência dos filhos na administração, o caso Queiroz, que desperta a pergunta sobre por onde, afinal, anda o ex-assessor do filho Flávio, o esquema do laranjal do PSL, as desculpas do ministro Onyx Lorenzoni para seu confessado caixa 2, o excesso de militares no núcleo duro do poder…

Os motivos para Bolsonaro não ter alcançado um resultado melhor são muitos e variados. Nem mesmo o período de mais de duas semanas em internação hospitalar conseguiram manter nele a marca de vítima desfrutada na campanha eleitoral, após a facada em Juiz de Fora, no mês de setembro.

Por último, mas não menos importante, é preciso citar a reverberante demissão do advogado Gustavo Bebbiano da Secretaria Geral da Presidência. As ameaças feitas pelo ex-amigo de contar o que sabe sobre esquemas heterodoxos da campanha presidencial, com a frase ‘se eu cair, ele cai’ rolando nas manchetes de todas as mídias, inegavelmente tiveram um papel relevante no desgaste da imagem do presidente. Bebbiano morreu politicamente para o governo, mas também é certo que na queda feriu com força Bolsonaro e também seu filho Carlos, que pareceu mais influente sobre o pai do que este em relação a ele.

A lua-de-mel, que muitos previam duradoura, pode acabar até mesmo abruptamente caso o presidente não reconheça que o tempo de descer do palanque já acabou de velho. Ao contrário da facilidade dos discursos inflamados, administrar e liderar sua equipe não está se mostrando uma tarefa ao feitio do ‘mito’.