Ministério da Saúde amplia cruzamento de dados, inclui raça e índice de letalidade entre negros e pardos deve subir nas estatísticas do coronavírus; desapreço por dados sociais marca governo

Cerca de 64% dos mortos e 74% dos hospitalizados por covid-19 no Brasil são brancos, mas a taxa de letalidade da doença pode ser maior entre pardos e pretos, indicam números divulgados nesta sexta-feira, 10, pelo Ministério da Saúde.

A pasta já vinha apresentando o perfil dos óbitos por coronavírus por faixa etária e sexo, mas agora passou a incluir os dados também por raça/cor. Ainda de acordo com o levantamento, indivíduos pardos são o segundo grupo mais afetado pela infecção: representam 28,5% dos óbitos e 18,9% das internações.

Outros 4,3% dos mortos eram pretos, 2,5% classificados como raça/cor amarela e 0,2%, indígenas. No grupo de hospitalizados, os índices são parecidos: 4,2% pretos, 2,8% amarelos e 0,2% indígenas.

Os números indicam que embora o percentual de mortes seja maior entre os brancos, a doença pode ser mais letal entre pardos e pretos já que embora eles representem uma em cada quatro internações (23,1% ), correspondem a uma em cada três mortes (32,8%).

A distribuição de hospitalizações e mortes pode sofrer grandes alterações já que 1.942 dos casos de internação (46% do total) e 341 óbitos (32%) foram excluídos do levantamento pelo fato de a variável raça/cor ser desconhecida.

Os números mais atualizados do governo federal mostram ainda que, do total de mortos, 58,2% eram homens e 41,8%, mulheres. Quanto à faixa etária, os idosos representam 77% das vítimas fatais da doença no País.

Os dados do ministério mostra ainda que 74% dos mortos apresentavam pelo menos um fator de risco complicador. Os mais prevalentes foram cardiopatia, diabetes e problemas nos pulmões.