Mídia global vê escritório comercial em Jerusalém, sem mudança de embaixada, como prova de divisão no governo Bolsonaro

A imprensa internacional avalia decisão do Presidente Jair Bolsonaro de abrir um “escritório comercial” e não transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém como o reflexo da divisão interna do governo brasileiro.

Para a BBC News, a mudança da embaixada causava polêmica dentro e fora do governo brasileiro. Pressionado por diversos setores, “Bolsonaro teria que anunciar algo”.

Por um lado, evangélicos e setores ligados ao escritor Olavo de Carvalho defendiam a transferência como uma forma de aproximar o país de Israel. A defesa também está calcada em questões teológicas, especialmente ligadas ao chamado “dispensacionalismo”, doutrina que liga o estabelecimento dos judeus na Palestina à volta de Jesus Cristo.

Já ruralistas e outros setores exportadores temiam que a abertura pudesse comprometer as relações do Brasil com países árabes e muçulmanos, grandes compradores e produtos agropecuários – especialmente proteína animal produzida a partir de preceitos islâmicos – do Brasil. Países árabes e o Irã respondem por quase 6% de todas as exportações brasileiras.

Por fim, integrantes da ala militar do governo, como o vice-presidente Hamilton Mourão e o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz, também já haviam se mostrado reticentes com a transferência.