Mídia global faz chacota de Bolsonaro por negacionismo à alta letalidade do coronavírus: “O último cético”

Criticado pela imprensa brasileira pela forma como tem tratado o novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro tem sido motivo de chacota entre a mídia internacional. A imprensa mundial destaca o tom que Bolsonaro tem utilizado para se referir à pandemia, bem como as atitudes em desalinho às recomendações das autoridades sanitárias.

O la Repubblica, jornal diário italiano, chama Bolsonaro de “o último cético” e afirma que ele ficou isolado entre os chefes de Estado nas posições adotadas para enfrentamento ao vírus. O diário também destaca as aglomerações provocadas pelo presidente brasileiro nos últimos dias e as dissonâncias entre Bolsonaro e os governadores.

A Itália é agora o segundo país mais afetado pela pandemia, tendo sido superado na última semana pelos Estados Unidos. O país europeu registra 18.849 mortes relacionadas ao vírus. Sua população, no entanto, é menos de um quinto da população do país americano.

Um dos mais respeitados jornais do mundo, O Le Monde, da França, destacou uma frase de Bolsonaro contrária às medidas de contenção: “Alguns vão morrer? Sim claro. Sinto muito, mas isso é a vida. Você não pode parar uma fábrica de automóveis porque há mortes nas estradas todos os anos”. O periódico francês cita nas atitudes do brasileiro um viés eleitoral. “Ao retomar esse discurso populista, muitas vezes insensato, Jair Bolsonaro certamente consegue remobilizar sua base eleitoral, de base conspiratória”, diz a matéria publicada em 4 de abril.

Na Inglaterra, o The Guardian destacou os ataques de Bolsonaro à mídia e a queda de popularidade do presidente, com protestos registrados em várias cidades do país. Para a BBC, “enquanto o mundo tenta desesperadamente combater a pandemia de coronavírus, o presidente do Brasil está fazendo o possível para minimizá-la”. A rede britânica salienta as divergências entre Bolsonaro e seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e afirma que o líder brasileiro está frustrado porque foi eleito com a promessa de melhorar a economia, o que foi barrado pelo avanço da covid-19. “O Sr. Bolsonaro está determinado a fazer essa pandemia política, culpando seus adversários por tentarem destruir o país.”