Mídia estrangeira vê estagnação como “golpe para Bolsonaro”

O colunista Nélson de Sá, na Folha de S. Paulo, compilou a repercussão internacional do recuo de 0,2% no PIB brasileiro no 1º trimestre. O que sobressai é um retrato sem retoques sobre o quanto será difícil superar essa situação – e o quanto a realidade embota e esvazia o discurso ideológico do presidente Jair Bolsonaro.

Na manchete do Financial Times, “PIB do Brasil encolhe e alimenta temor de recessão”. Logo abaixo, descreve como “um golpe para Bolsonaro”. O jornal financeiro ressalta no início do texto os 13 milhões de desempregado e os “55 milhões, um quarto da população, que agora vivem abaixo da linha da pobreza, contra 52 milhões” dois anos antes. Ouve analistas que veem “risco de recessão”, mas também Vanderley Moretto, “desempregado desde novembro”, que afirma: “Nós só estamos vendo cortes na educação e na saúde. As empresas precisam de funcionários, mas não contratam para reduzir os custos. É uma situação em que a desigualdade social só faz aumentar.”

A exemplo do FT, o Wall Street Journal sublinha a queda na confiança do setor privado, “insatisfeito com o ritmo do governo em fazer outras mudanças”, além da própria Previdência: “Investidores e empresas começam a pensar que 2019 será ano perdido”. Na mesma direção, o financeiro francês Les Échos destaca a reportagem “Brasil perde sua aura aos olhos dos investidores estrangeiros”, dizendo que “diversas multinacionais decidiram deixar o país”. E a Bloomberg, antes mesmo de se confirmar o PIB, despachou o texto “Desiludidos e desapontados, economistas repensam o futuro do Brasil”, ouvindo o Bank of America Merrill Lynch, entre outros.