Marrento; Bolsonaro diz que será “o último da fila” da vacina, e renega CoronaVac; “Não posso tomar essa lá de São Paulo, que não é aceita nem na Europa nem nos EUA”, justifica ele, atacando João Doria

Em entrevista à uma rádio potiguar, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que será o último da fila a ser vacinado contra a covid-19 no Brasil e afirmou que pretende escolher o imunizante, recusando a CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac.

“Eu serei o último da fila. Já que tem muita gente apavorada querendo tomar a vacina, não é justo o chefe de Estado tomar na frente do cidadão comum. Eu vou ser o último da fila”, disse Bolsonaro em entrevista à rádio 96 FM, de Natal (RN).

“Eu vou tomar vacina que eu posso entrar no mundo todo. Não posso tomar essa vacina lá de São Paulo, que não aceita na Europa nem nos Estados Unidos. Eu viajo o mundo todo e eu tenho que tomar a específica, que aceita no mundo todo”, completou.

A fala contradiz orientação Ministério da Saúde, que recomenda a vacinação com todas as doses disponíveis pelo SUS e alerta que os chamados ‘sommeliers de vacina’ atrapalham o esquema vacinatório.

O imunizante chinês, produzido e distribuído no Brasil pelo Instituto Butantan, que pertence ao governo de São Paulo, é o mais aplicado no país. A Coronavac sempre foi alvo de Bolsonaro, afirmando que ela não tinha “comprovação científica” e inclusive com comentários xenófobos contra os chineses.

Em junho, Bolsonaro questionou a eficácia da vacina CoronaVac. “Eu tenho que falar, não posso me omitir. Vocês estão vendo que a CoronaVac está com problema em alguns países do mundo, como por exemplo o Chile, entre outros. No Brasil, não está sendo diferente. A gente vê notícias de asilos, por exemplo, que têm dezenas de idosos que tomaram as duas doses, e que, depois de algum tempo, as pessoas são infectadas e entram em óbito”, disparou.