Marin desfruta no Brasil de segurança máxima contra ações da Justiça; proteção total, escreve colunista João Arquibaldo

Por João Arquibaldo

Assim que botou o nariz fora da cela e o pé fora do presídio onde cumpria pena, nos Estados Unidos, acusado de integrar organização criminosa, o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, banido do futebol pela Fifa, se mandou para o Brasil. Aqui, ironicamente, ele está protegido, não irá preso. Logo onde ele articulou esquemas suspeitos, explorando a imagem e prestígio da Seleção Brasileira, Marin não tem medo de processos judiciais.
Antes dos Estados Unidos, Marin esteve preso na Suíça e, depois, prisão domiciliar em Nova York, acusado de ter recebido milhões em propinas, quando presidente da CBF. A grana vinha de contratos de direitos comerciais da Copa Libertadores, Copa do Brasil e Copa América.
É bom lembrar que os trambiques de ex-cartolas estão no relatório alternativo de 1.200 páginas que o senador s Romário apresentou na CPI do Futebol, em 2016. As operações dos irmãos metralhas que se sucederam na CBF, Ricardo Teixeira, Marin e Marco Polo Del Nero, estão, também, mas resumidamente, no livro “Um Olho na Bola, Outro no Cartola” (Editora Planeta), também de Romário. Nele, está detalhado o esquema do crime organizado no futebol e como ganharam dinheiro fácil explorando a imagem da nossa Seleção.
              O relatório alternativo da CPI, fartamente documentado, foi encaminhado à Receita Federal, ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal, Banco Central do Brasil, Procuradoria Geral, COAF, Tribunal de Contas da União, CGU, enfim. Todos os órgãos de fiscalização de quadrilhas que roubam e lavam dinheiro sabem o que tínhamos na CBF. Muitas operações repetiam as que se conheceu em 2001, na CPI da CBF Nike. O esquema é de longa data. Mas os irmãos metralhas do futebol, mesmo banidos pela Fifa, estão a salvo por aqui. Para eles, o Brasil é país de segurança máxima.