Mania de ditador; “Se um dia eu errar, não precisa de impeachment, eu vou embora”, diz Bolsonaro; e no mesmo discurso: “Não errei”

Em discurso nesta segunda (2), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que iria embora caso considerasse que errou no exercício do cargo. 

© Alan Santos/Palácio do Planalto

“É uma briga para se manter no poder, para cumprir a missão. Porque se eu errar um dia, não precisa de processo de impeachment. Eu vou embora”, afirmou o mandatário.

No mesmo discurso, alguns minutos depois, o presidente voltou a dizer que apenas Deus poderia tirá-lo da presidência: “Só Deus me tira daqui. Não errei. Dei o melhor de mim, juntamente com meus ministros.”

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O pronunciamento ocorreu durante a cerimônia de assinatura do Acordo de Cooperação Técnica ‘Água nas Escolas’, em Brasília. 

Bolsonaro também voltou a se posicionar contra o sistema eleitoral vigente e afirmou que sua eleição foi “um milagre”: “Não estou preocupado com quem se eleja ano que vem, desde que sejam eleições limpas, democráticas. […] É um milagre a minha eleição, alguém que conhece pouco de política, não tinha nada para ser eleito, um presidente fora do padrão”. 

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“Tem gente que fala ‘[a urna eletrônica] é confiável, é impenetrável’. Queremos uma farsa ano que vem? Ou uma eleição marcada por suspeição. ‘Ah, quem perder entra na Justiça.’ Quem vai analisar o recurso em última instância? Exatamente os que tiraram ‘o cara’ da cadeia, que o tornaram elegível, e exatamente os que contaram os votos”, prosseguiu, em referência ao ex-presidente Lula e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). 

Na última quinta-feira, em uma transmissão ao vivo, o presidente afirmou não ter provas de que houve fraude nas eleições de 2018. Há mais de um ano, ele afirma publicamente que foi o vencedor do pleito em primeiro turno. 

O presidente falou, ainda, sobre ameaças de impeachment e relembrou suas declarações sobre as vacinas da Covid-19 e sua defesa do chamado “tratamento precoce”, termo que se refere ao uso de remédios ineficazes contra a doença. “Parece que é proibido fazer qualquer crítica construtiva no tocante à vacina, como virou crime você falar em tratamento precoce. […] Parece que somos castrados, não se pode falar a verdade. Ameaçam de processo e até impeachment”, afirmou.

“Se nós nos calarmos, nós curvarmos ao politicamente correto e achar que as velhas práticas podem voltar, para atender aos mesmos que querem a volta da corrupção e da impunidade, nós todos sucumbiremos. E tem um velho ditado que diz: nada está tão ruim que não pode ficar pior. Depende das ações de cada um de nós”, completou o presidente.