Manaus: “Estamos vivenciando um cenário de guerra”, define médica sobre recordes seguidos de hospitalizações por Covid-19

Os hospitais de Manaus têm apresentado um cenário de lotação, segundo os órgãos oficiais. Por meio de redes sociais, a médica residente do serviço de clínica médica do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), Anne Menezes, relatou o cenário que os profissionais da área de saúde vêm enfrentando em hospitais da cidade.

“Nós temos vivenciado um cenário de guerra”, disse a médica em um vídeo publicado na internet.

Neste sábado (9), o Amazonas voltou a bater o recorde diário de novas hospitalizações por Covid desde o início da pandemia. Manaus registrou 130 enterros apenas no sábado, perto da marca recorde alcançada em abril. Até este sábado, mais de 5,6 mil pessoas morreram em todo o Estado, e 3,6 mil só em Manaus.

Na publicação feita pela médica, ela conta que o atual cenário vivido pelo sistema de saúde no estado não se compara com o que foi enfrentado no início da pandemia do novo coronavírus. Como evidência, Menezes relatou que costuma atender pacientes mais jovens.

“Eu trabalho com Covid desde março de 2020 e nem nos meus piores pesadelos eu poderia imaginar a situação que estamos vivenciando hoje. O comportamento da Covid-19 tem se apresentado de forma diferente. Tenho recebido muitos pacientes nos meus plantões na casa de 27 e 33 anos com o pulmão comprometido e insuficiência respiratória mesmo que nos primeiros dias de doença e que necessitam de entubação”, disse a médica.https://94ac23ea99e10797e887afc15f8a16e1.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Na linha de frente do combate à Covid-19 no Amazonas, a médica ainda contou que os profissionais de saúde que atuam no estado trabalham com cansaços físicos e mentais, devido o grande fluxo de pacientes que as unidades de saúde recebem todos os dias.

“A equipe de saúde já está cansada. Não só um cansaço físico, mas emocional. Todos os dias nós temos que tomar decisões que são muito difíceis. É muito difícil ter que escolher a nível de gravidade e, principalmente, a nível de prognóstico”, contou Menezes.

Ela relacionou o cenário do hospitais da cidade como “um cenário de guerra”.

“O que nós temos vivenciado é um cenário de guerra. Pessoas chegam pedindo socorro a todo instante e, muitas das vezes, já não podemos fazer mais nada. “Nós já não temos ventiladores disponíveis, vagas em UTI acontecem muitas vezes por óbito, infelizmente. São poucas as altas que estão acontecendo nesse momento. O meu intuito ao gravar esse vídeo é pedir que a gente consiga desafogar os prontos-socorros”, afirmou.