Mais armistício: Bolsonaro diz que não mandou ‘comemorar’ golpe, mas “rememorar” 64; em Jerusalém, “talvez” escritório, e não embaixada

BR: As nuvens negras desapareceram mesmo do céu político de Brasília. No início da tarde desta quinta-feira 28, o clima bom da manhã ganhou ainda mais firmeza. O presidente Jair Bolsonaro encarregou-se de novas notícias apaziguadoras.

Após gerar reações indignadas até mesmo do Ministério Público, Bolsonaro afirmou que não deu ordens de comemoração do golpe militar de 1964, classificação que, de resto, ele rejeita.

“Não foi comemorar. (Foi) rememorar, rever o que está errado, o que está certo e usar isso para o bem do Brasil no futuro”, disse o presidente.

Ele se alongou sobre o tema:

“A Lei da Anistia tá aí e valeu para todos. Inclusive o governo militar da (época da) Anistia fez com que ela fosse ampla, geral e irrestrita. E alguns setores dentro do parlamento não queriam que certas pessoas voltassem a Brasília porque atrapalhariam seus projetos. Lei da Anistia, vamos respeitar”, pediu o presidente.

Ficou assim o dito pelo não dito pelo porta-voz Rêgo Barros, na última segunda-feira, quando ele anunciou que o presidente mandara os quartéis fazerem as “comemoração devidas” pelo 31 de março de 1964.

EMBAIXADA EM JERUSALÉM

A respeito de outro tema polêmico, a anunciada transferência da embaixada do Brasil em Israel, do atual endereço em Tel Aviv para Jerusalém, o presidente foi contemporizador, dando uma declaração inédita sobre o assunto.

Bolsonaro disse que o Brasil “talvez” abra um escritório de negócios em Jerusalém, o que contemplaria, ao menos em parte, as expectativas do governo israelense e sua própria base política, sem despertar a ira da oposição dentro e fora do País. O presidente deixou claro, porém, que a ideia de transferência da embaixada brasileira não foi descartada, mas dificilmente será anunciada durante sua viagem a Israel, onde chega no domingo 28.

“Trump levou nove meses para decidir, dar a palavra final para que a embaixada fosse mudada”, disse Bolsonaro usando o colega americano como termo de comparação. “Nós talvez abramos agora um escritório de negócios em Jerusalém”, disse ele.