Brazil's Lower House President Rodrigo Maia attends a news conference after a breakfast with journalists in Brasilia, Brazil February 16, 2018. REUTERS/Adriano Machado

Maia pisa no teatro de guerra e atinge Bolsonaro: “Ele é presidente da República, não é?”

Normalmente conciliador e ponderado, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deu o tom de insatisfação entre os parlamentares a respeito da crise política aberta pela indefinição sobre a exoneração do secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebbiano.

“A impressão que dá é que o presidente está usando o filho (Carlos) para pedir para o Bebianno sair. E ele é presidente da República, não é?”, questionou Maia em entrevista à jornalista Andrea Sadi, da Rede Globo. “(Bolsonaro) Não é mais um deputado, ele não é presidente da associação dos militares”, prosseguiu o presidente da Câmara em ensinamentos ao chefe do Executivo.

Para Maia, Bolsonaro tem a obrigação de “comandar uma solução” para a crise.

“Se ele (Bolsonaro) está com algum problema, ele tem que comandar a solução, e não pode, do meu ponto de vista, misturar família com isso porque acaba gerando insegurança, uma sinalização política de insegurança para todos”, afirmou o presidente da Câmara.

Bolsonaro corroborou a manifestação de seu filho Carlos, feita ontem, via Twitter, segundo a qual o ministro Bebbiano é mentiroso. À Rede Record, o presidente afirmou que se houver provas de que Bebbiano tem responsabilidade sobre os desvios do Fundo Partidário do PSL, por meio de candidatos laranjas nas eleições de 2019, o ministro terá de “voltar às origens”, isto é, ser demitido. Até aquele momento, Bolsonaro sustentou a posição de não querer conversar pessoalmente com Bebbiano sobre essa questão.  

Para Maia, é um “risco muito grande” para um governo transformar o episódio de Bebianno em uma crise porque, segundo ele, há desafios importantes para o governo enfrentar, entre os quais a aprovação da reforma da Previdência. “Olha, eu não gosto de ficar me movendo nas relações familiares, mas eu acho que o episódio do Bebianno não tem relação com o Bebianno. O Bebianno transferiu dinheiro para o diretório [do PSL], não é? Ou para uma candidata de um estado. Qualquer presidente de partido poderia passar por isso. Você transformar isso numa crise dentro do Palácio do Planalto, eu acho que é risco muito grande pra um governo que precisa analisar a liderança, unidade, porque vai ter desafios importantes começando pela Previdência”, ensinou Maia.