Maduro ataca presidente da Colômbia pela TV: “Você vai queimar poder dentro, Iván Duque!”

Enquanto manifestantes e militares entraram em confronto na fronteira entre a Venezuela e Colômbia, o presidente Nicolás Maduro fez discurso diante de uma multidão em Caracas em que prometeu defender o país de intervenções estrangeiras. Durante a mensagem, que durou mais do que uma hora, ele anunciou que todas as representações diplomáticas colombianas devem sair em 24 horas da Venezuela.

Ele também afirmou que nunca antes um presidente colombiano havia ido tão longe contra um presidente venezuelano. Sobre o mandatário colombiano, Iván Duque Márquez, disse: “Parece que ele tem cachinhos mas, eu diria você é o diabo. E você vai se arrepender de se meter com a Venezuela”.

Maduro também fez referências ao Brasil. “É o que digo a esse País, por exemplo. Mandei uma mensagem. Estamos dispostos, como sempre estivemos, a comprar todo arroz, todo leite em pé, toda a carne. Mas pagando. São somos mau pagadores. Nem mendigos. Somos gente honrada que trabalha”, disse, em relação a ajuda humanitária enviada pelo Brasil à fronteira do país.

“Trazer caminhões com leite em pó? Compro agora e pago agora. Querem trazer carne? Que venham para os mercados populares”, completou.

Discursando tendo ao fundo um cartaz dizendo “hands off Venezula” (seu slogam tirem as mãos da Venezula), ele também não deixou críticas aos EUA de lado, com uma mensagem ao presidente do país. “Escute bem Donald Trump: jamais vou trair ao juramento que fiz ao comandante Chávez de defender a pátria”.

“Minha vida é consagrada totalmente à defesa da pátria, em qualquer circunstância. Nunca me dobrarei, sempre defenderei a minha pátria com a minha vida, se necessário for”, afirmou.

“É uma ordem que dou ao povo, aos militares patriotas, a todas as forças armadas bolivarianas. Se vocês amanhecerem um dia com a notícia de que fizeram algo com Nicolás Maduro, saiam as ruas”, acrescentou.

Tensão

O fechamento das fronteiras da Venezuela, ordenado por Maduro, elevou o clima de tensão no país e entre os vizinhos. As divisas foram cerradas às vésperas do envio da ajuda humanitária solicitada pela oposição venezuelana. A expectativa é de que remédios e medicamentos enviados pelos Estados Unidos cheguem ao país neste sábado, 23 de fevereiro.

O ministro brasileiro das Relações Exteriores Ernesto Araújo está em Pacaraima e anunciou, por volta das 11h da manhã, a chegada na fronteira do primeiro caminhão de ajuda humanitária enviado pelo Brasil em conjunto com os Estados Unidos.

Araújo insistiu que confia nos soldados do lado venezuelano que hoje estão fechando a fronteira para evitar a passagem de veículos. Os venezuelanos vivem uma grave crise política há alguns anos, que ganhou novos contornos no último mês, quando o opositor Juan Guaidó se autoproclamou presidente interino. O líder opositor recebeu o apoio de vários países, entre eles o Brasil e os EUA.