‘Live’ de Bolsonaro é mix de insegurança e demonstração de força, vende democracia, mas propagandeia uso da força; assista

BR:_ Tome seu tempo e responda: um presidente que, mal completados dois meses de governo, aparece ao vivo para milhões de pessoas ao lado de dois generais dá uma demonstração de fraqueza ou de força, de ter apoio ou de se sentir desamparado, defende a democracia, como afirmou, ou a militarização do poder, como faz quem tem mais de 100 militares em cargos-chave de sua administração?

– Voltamos a fazer lives e tentaremos fazê-las uma vez por semana com assuntos sobre fatos atuais.. Link no youtube: https://youtu.be/cOWlW_3zcw4

Posted by Jair Messias Bolsonaro on Thursday, March 7, 2019

São questões à volta da ‘live’ feita nesta quinta-feira 7, via página oficial no Facebook, pelo presidente Jair Bolsonaro. Entre uma gesticulação mais acentuada do que costuma apresentar, e pedindo a interferência de seus coadjuvantes para reforçar seus pontos de vista, o presidente abriu a cena afirmando que estava ali para esclarecer as “muitas interpretações” de sua fala, na hora do almoço, durante a cerimônia militar que marcou o 210º aniversário do corpo de fuzileiros navais, no Rio de Janeiro.

Para dar a sua interpretação do trecho do discurso que repercutiu nacionalmente – “a democracia só existe quando sua Força Armada assim o quer” -, Bolsonaron pediu a interpretação do general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional.

E ele foi duro:

“Isso pode chocar, mas é a verdade: “As Forças Armadas são as detentoras do direito ao emprego legal da violência”, disse o general Heleno. Para explicar sua afirmação, usou os exemplos de Venezuela e Cuba como regimes políticos que são sustentados pelas Forças Armadas. Em contraposição, concluiu que são os militares brasileiros, com seu caráter democrático, que dão condições de a democracia brasileira existir.

Não há dúvida de que uma ameaça foi lançada ao ar, e uma primeira interpretação para o porque desse movimento reside nas críticas crescentes ao estilo e ao desempenho de Bolsonaro no exercício do poder. Além dos protestos lançados contra ele no carnaval, que, ela admita ou não, o irritaram, o presidente está vendo todo o apoio da mídia tradicional escorrer-lhe entre as mãos. Grandes jornais como O Estado de S. Paulo e O Globo já dedicam editoriais inteiros para sublinhar seus erros. A Folha de S. Paulo, em reportagem bem apuradas, não menos que desmoralizou o partido de Bolsonaro, apresentando a plantação de ‘laranjas’ que ali viscejou. Nas redes sociais, até então inabaláveis na fabricação, primeiro, e, a seguir, na sustentação do ‘mito’, igualmente estão a falhar, como a própria Folha apurou após Bolsonaro divulgar o vídeo com as cenas obscenas no carnaval de São Paulo. Não há, ainda, confirmação matemática, mas Bolsonaro estaria perdendo apoiadores em sua base virtual que sempre lhe rendeu dividendos reais.

Todo esse pano de fundo, agregado pelas dificuldades nas negociações da reforma da Previdência, denúncias contra seus ministros, gafes e recuos dele e sua equipe, se fez presente na ‘live’ desta quinta, 18h30.

Por último, mas não menos importante, o papel exercido por seus filhos nesse começo de gestão, de estímulo ao atrito e à divisão da sociedade entre prós e contra o governo, e jamais pela união de esforço por objetivos comuns, igualmente se soma para o latente nervosismo do presidente.

Quanto mais o presidente ouve, de diversos setores, que o melhor caminho não é o que ele tem seguindo até aqui, mais Bolsonaro avança pela picada perigosa. Desse jeito, logo ele poderá chamar os generais não para serem meros coadjuvantes de uma ‘live’, mas como agentes de sua sustentação pela força. A carta do golpe entrou no baralho.

Cada uma dessas questões está à volta da ‘live’ feita nesta quinta-feira 7, via página oficial no Facebook, pelo presidente Jair Bolsonaro. Entre uma gesticulação mais acentuada do que costuma apresentar, e pedindo a interferência de seus coadjuvantes para reforçar seus pontos de vista, o presidente abriu a cena afirmando que estava ali para esclarecer as “muitas interpretações” de sua fala, na hora do almoço, durante a cerimônia militar que marcou o 210º aniversário do corpo de fuzileiros navais, no Rio de Janeiro.

Para dar a sua interpretação do trecho do discurso que repercutiu nacionalmente – “a democracia só existe quando sua Força Armada assim o quer” -, Bolsonaron pediu a interpretação do general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional.

E ele foi duro:

“Isso pode chocar, mas é a verdade: “As Forças Armadas são as detentoras do direito ao emprego legal da violência”, disse o general Heleno. Para explicar sua afirmação, usou os exemplos de Venezuela e Cuba como regimes políticos que são sustentados pelas Forças Armadas. Em contraposição, concluiu que são os militares brasileiros, com seu caráter democrático, que dão condições de a democracia brasileira existir.

Não há dúvida de que uma ameaça foi lançada ao ar, e uma primeira interpretação para o porque desse movimento reside nas críticas crescentes ao estilo e ao desempenho de Bolsonaro no exercício do poder. Além dos protestos lançados contra ele no carnaval, que, ela admita ou não, o irritaram, o presidente está vendo todo o apoio da mídia tradicional escorrer-lhe entre as mãos. Grandes jornais como O Estado de S. Paulo e O Globo já dedicam editoriais inteiros para sublinhar seus erros. A Folha de S. Paulo, em reportagem bem apuradas, não menos que desmoralizou o partido de Bolsonaro, apresentando a plantação de ‘laranjas’ que ali viscejou. Nas redes sociais, até então inabaláveis na fabricação, primeiro, e, a seguir, na sustentação do ‘mito’, igualmente estão a falhar, como a própria Folha apurou após Bolsonaro divulgar o vídeo com as cenas obscenas no carnaval de São Paulo. Não há, ainda, confirmação matemática, mas Bolsonaro estaria perdendo apoiadores em sua base virtual que sempre lhe rendeu dividendos reais.

Todo esse pano de fundo, agregado pelas dificuldades nas negociações da reforma da Previdência, denúncias contra seus ministros, gafes e recuos dele e sua equipe, se fez presente na ‘live’ desta quinta, 18h30.

Por último, mas não menos importante, o papel exercido por seus filhos nesse começo de gestão, de estímulo ao atrito e à divisão da sociedade entre prós e contra o governo, e jamais pela união de esforço por objetivos comuns, igualmente se soma para o latente nervosismo do presidente.

Quanto mais o presidente ouve, de diversos setores, que o melhor caminho não é o que ele tem seguindo até aqui, mais Bolsonaro avança pela picada perigosa. Desse jeito, logo ele poderá chamar os generais não para serem meros coadjuvantes de uma ‘live’, mas como agentes de sua sustentação pela força. A carta do golpe entrou no baralho.