Lira tentou votar semipresidencialismo em reforma política, mas líderes barraram; presidente da Câmara sonha recriar figura do primeiro-ministro

Pressionado pelos 126 pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro, o presidente da Câmara, Arthur Lira, articula a votação de uma emenda à Constituição para mudar o sistema de governo e instituir o semipresidencialismo. Haveria a criação da figura do primeiro-ministro.

Parlamentares relatam que Lira queria incluir a mudança já na reforma política em debate, desde que houvesse anuência dos líderes partidários. A proposta, porém, deve ter dificuldade para avançar. O próprio autor da iniciativa, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), admite dificuldades para a tramitação. Protocolada em agosto de 2020, a PEC conta com cerca de 40 assinaturas das 171 necessárias. “Nós defendemos eleições em 2022. Daí a possibilidade, muito bem aceita, de votar um semipresidencialismo em 2026, com uma forma de você estabilizar mais o processo político no Congresso Nacional”, disse Lira na semana passada a jornalistas. Relatora das mudanças no Código Eleitoral, a deputada Margarete Coelho aposta que a discussão terá mais espaço após encerrada a reforma política.