Le Monde vê Bolsonaro com “autoridade enfraquecida” após “duro golpe” sofrido no 7 de setembro

Publicado por Willy Delvalle 

Bolsonaro no Le Monde

Golpe fracassado, presidente humilhado. No Le Monde deste sábado, Bolsonaro saiu mais fraco.

Ao fim de uma semana altamente caótica, o presidente “Jair Bolsonaro parece ter repentinamente renunciado a suas vontades golpistas, para o grande pesar de seus partidários e um grande dano à sua autoridade”, diz reportagem de Bruno Meyerfeld, correspondente no Brasil.

“As condições pareciam ideiais para que Jair Bolsonaro pudesse enfim dar ‘seu’ tão esperado golpe de Estado”, avalia.

“O capitão Bolsonaro finalmente despencou, largando suas tropas em pleno assalto, renunciando a suas vontades golpistas. Um duro golpe, vindo enfraquecer consideravelmente sua autoridade, a um ano das eleições presidenciais”, afirma.

“Diante dos juízes de toga, Bolsonaro se sabe em posição de fraqueza. Vítima da crise de Covid-19 (585 mil mortes), da quebra econômica e dos negócios, sua popularidade está em queda livre. Somente um brasileiro a cada quatro apoia a ação do chefe de Estado, dado como amplamente derrotado para a esquerda nas eleições presidenciais de outubro de 2022. Para muitos, na cúpula do poder, a única saída é ir ainda mais longe”, analisa.

“Mas rapidamente, é um banho de água fria. Depois de uma cerimônia da bandeira, o presidente se dirige duas vezes às suas tropas no mesmo dia, em Brasília e depois em São Paulo. Nenhuma chamada à insurreição é lançada”.

“Na verdade, isolado no seu vasto palácio de concreto e mármore de Brasília, Bolsonaro, encurralado, hesita”, descreve.

“Para o capitão, o armistício parece com uma capitulação sem condições, ainda mais humilhante porque ela não parece em nada com a origem do texto. Esse último lhe foi submetido num almoço no dia 9 de setembro pelo seu predecessor na presidência Michel Temer (2016-2019), catapultado como mediador e encarnação caricata do velho mundo político brasileiro que Jair Bolsonaro havia justamente jurado derrubar”, observa.

“O que aconteceu então para mudar Jair Bolsonaro da água para o vinho?”, questiona.

“A palavra impeachment está lançada. Na sequência, os parlamentares da maioria, ligados ao meio econômica, e por muito tempo complacentes, se preocupam: quarta-feira, a Bolsa de São Paulo cai vertiginosamente. Os golpes de Estado não são bons para os négocios”, afirma. 

“O presidente fez então a escolha de salvar seu mandato, com o risco de perder seus últimos apoiadores na opinion pública. Nas redes sociais, os bolsonaristas que foram às tuas, e que esperavam a grande noite escancaram raiva e lamentações”.