Lava Jato acusa Paulo Preto de lavar R$ 100 milhões no exterior para Odebrecht e UTC

A força-tarefa da Lava Jato de Curitiba denunciou pela primeira vez Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, por lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça. Suspeito de ser o operador do PSDB, para o Ministério Público Federal, Paulo Preto lavou R$ 100 milhões em favor das empreiteiras Odebrecht e UTC, no Brasil e no exterior. 

É a primeira vez que Paulo Preto é denunciado pela Lava Jato paranaense. Desde o dia 19 de fevereiro ele está preso preventivamente após a deflagração da 60ª fase da operação, a Ad Infinitum. A denúncia afirma que ele viabilizou o repasse desses valores em espécie ao doleiro Adir Assad, após operações financeiras no exterior, que foram usados para bancar o pagamento de propinas a políticos e agentes públicos da Petrobras e de outras estatais.

Além dele, foram denunciados por lavagem de dinheiro o advogado Rodrigo Tacla Durán, também considerado operador da Odebrecht, e quatro delatores: Fernando Migliaccio, Olívio Rodrigues, Marcello Abbud e Samir Assad. A denúncia afirma também que Paulo Preto e Tacla Durán ocultaram e dissimularam transferências de US$ 430 mil (equivalente a R$ 1,67 milhão) ligadas à compra de uma casa de praia em Guarujá (SP), em 2012.

Paulo Preto foi acusado ainda de atrapalhar as investigações ocultando seu telefone celular durante as buscas em sua casa, em fevereiro. Alvo de busca e apreensão na mesma fase da Lava Jato, o ex-senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) não é citado na denúncia.


Dersa
Ex-diretor da Dersa (estatal paulista de rodovias), ele já foi condenado em primeira instância duas vezes pela Justiça Federal de São Paulo e é réu em uma terceira ação penal. Sua defesa nega que ele tenha cometido irregularidades e recorre das decisões.

A defesa de Paulo Preto ainda não se manifestou. Já Tacla Durán tem dupla cidadania e vive na Espanha, que há dois anos rejeitou pedido de extradição apresentado pelo Brasil. Ele é tratado como foragido pela Lava Jato.