Kassab: “Bolsonaro está amedrontando o eleitor. Ele assusta”

O jornalista Alberto Bombig entrevistou Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, no jornal O Estado de S.Paulo.

Qual é sua posição diante das ameaças de Bolsonaro à realização de eleições no Brasil? 

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O presidente Bolsonaro faz uma leitura totalmente equivocada da relação dele com a sociedade, na hora em que ele faz uma manifestação dessas, dizendo que vai trabalhar para não ter eleições se não mudar o sistema, que não é ele que define. Ele assusta, está amedrontando o eleitor, mostra uma face que ele não mostrou na campanha eleitoral em 2018. Na democracia, as pessoas querem ver o presidente dando exemplo. Isso afasta ele do eleitor. Bolsonaro disse que não vai respeitar o Congresso, a decisão do Congresso em relação a um sistema eleitoral que é admirado no mundo inteiro. Lamentável essa fala do presidente. Mas as instituições são sólidas, vamos, sim, ter eleições com o sistema de apuração que for definido pelo Congresso Nacional e coordenado pela Justiça Eleitoral, como está definido na Constituição.

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Como avalia os últimos desdobramentos da questão militar, após as críticas do presidente da CPI da Covid, Omar Aziz, que é do seu partido, e a nota dos militares?

Tenho profundo respeito pelas nossas Forças Armadas. O senador Omar não as agrediu. É que, no calor dos acontecimentos, sempre existe, às vezes, manifestações que são feitas sem maiores reflexões. Ele, na verdade, fez uma manifestação muito crítica a alguns militares que eu não conheço, mas que a CPI talvez tenha evidências de que são militares que foram responsáveis por malfeitos. Acho que gerou uma polêmica desnecessária, porque eu não vi nenhuma agressão às Forças Armadas – ao contrário, ele enalteceu as Forças”.

E completou:PUBLICIDADE

O sr. acha que o governo Bolsonaro chega até 31 de dezembro de 2022?

Olha, eu acho que chega. Nós estamos caminhando para o segundo semestre do penúltimo ano, não é? Um impeachment não pode ser banalizado, precisa de fato concreto porque estamos numa democracia. O voto precisa ser valorizado. E, nessa altura dos acontecimentos, eu não acredito que vá acontecer um impeachment. Eu acho que é um governo que vai até o fim. É um governo que tem seus erros. Eu acho que teve muita dificuldade de estruturar, de convidar pessoas, o presidente chegou sem nenhuma experiência administrativa, sem equipe. Alguns se saíram bem, outros se saíram mal, mas é um governo com muita dificuldade no campo da política, no campo da gestão da pandemia, que hoje no mundo é a principal preocupação de qualquer cidadão. Qualquer cidadão do planeta, se tem uma preocupação hoje, é covid, e o governo não soube transmitir esse sentimento num País que daqui a pouco chega a 600 mil mortes. A CPI traz um desgaste, é evidente que ainda não concluiu nada, mas a gente percebe que, se você quiser ser generoso com o governo, aquilo lá era uma bagunça. Uma bagunça em uma gestão de algo tão importante, de uma pandemia, já é extremamente reprovável.

O PSD fica no governo? 

Não, nunca fomos governo. Têm pessoas do governo ligadas a nossos parlamentares, alguns são mais próximos, outros mais distantes, essa questão de cargos, de participação, de votação, ela é individual dos parlamentares, uma relação que eles têm com esse governo, que é de independência, permitindo a eles estar junto, votar a favor, votar contra, conforme a sua consciência. Essa é a contribuição que o partido deu para a governabilidade, ficando totalmente distante do governo”.