Invasores da terra dos Waiãpi têm armas de grosso calibre e seguem acossando índios

Portando armas de grosso calibre, um grupo de até 15 invasores da Terra Indígena Waiãpi, no oeste do Amapá, tomou uma aldeia e tem feito incursões para intimidar índios que habitam uma região remota, afirma documento interno da Funai (Fundação Nacional do Índio).

Baseada em relatos dos waiãpis, a Funai diz que o grupo, formado por 10 a 15 homens, foi o responsável pelo assassinato do líder Emyra Waiãpi, na semana passada. O órgão indigenista ressalva que ainda não esteve no local do crime, acessível apenas após uma viagem de carro, barco e a pé.

O documento afirma que os invasores estão dormindo na aldeia Aramirã, forçando os waiãpis a se concentraram em uma comunidade vizinha, Marity, distante 40 minutos a pé. A Funai orientou os indígenas a não se aproximarem dos homens armados, possivelmente garimpeiros –a região é rica em ouro.

“Podemos concluir que presença de invasores é real e que o clima de tensão e exaltação na região é alto”, concluiu o memorando interno, que recomenda que a presidência da Funai busque o apoio da Polícia Federal e do Exército.

Em nota, o Conselho das Aldeias Wajãpi (Apina), informou que o Emyra foi assassinado na segunda-feira (22), mas que não houve testemunhas e que o corpo só foi encontrado no dia seguinte.

Os waiãpis afirmam que, na sexta-feira (26), indígenas da aldeia Yvytotõ encontraram não índios armados. “À noite, os invasores entraram na aldeia e se instalaram em uma das casas, ameaçando os moradores”, diz o comunicado.