Inquietação na base do militar leva Exército, Marinha e Aeronáutica a emitirem notas, Bolsonaro a trocar texto e Guedes à frustração

BR: Não se trata de um problema pequeno. A hierarquia das Forças Armadas foi colocada em xeque nos últimos dias, quando militares de baixas patentes conseguiram deixar claro a seus superiores – especialmente em manifestações nas redes sociais e em grupos de WhatsApp – que não iriam aceitar a proposta de reforma da Previdência para as Forças Armadas no termos em que foi apresentada pelo governo. Comprometidos com o então candidato Jair Bolsonaro, eles se sentiram traídos pelo presidente Jair Bolsonaro, cuja proposta punia os militares da base e beneficiava, de maneira desequilibrada, os da cúpula.

A insatisfação da base militar foi suficiente para provocar três notas oficiais, dos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, em direcionamento direto à tropa. A palavra de ordem foi na linha do mantenham a calma e a disciplina.

Na manhã desta quarta-feira 20, Bolsonaro reuniu-se com os comandantes das três forças e integrantes da equipe econômica, para analisar uma alternativa à primeira proposta. A opção por um texto que aplaque a insatisfações das bases militares deve provocar atraso em relação à promessa de entrega da proposta, marcada para hoje, ao Congresso Nacional. O problema, neste caso, está na expectativa da equipe econômica, que deseja economizar, em dez anos, nada menos que R$ 90 bilhões com a previdência dos militares. Ontem, o general Hamilton Mourão, no cargo de presidente em exercício, disse que essa economia seria de R$ 13 bilhões. Em seguida, mandou avisar que havia se enganado em relação ao número, mas não colocou outro no lugar.

Agora, a nova proposta deve trazer um aumento no salário de militares de menor patente, segundo uma fonte próxima às negociações. De acordo com a fonte, que falou sob condição de anonimato, essa era uma reivindicação dos militares menos graduados, uma vez que vai haver aumento da contribuição.

Técnicos do governo passaram a madrugada fazendo cálculos para fechar os últimos detalhes da proposta. O texto, no entanto, ainda depende do crivo do presidente Jair Bolsonaro, que retornou nesta quarta-feira dos Estados Unidos e diz fazer questão de olhar a proposta antes da sua apresentação.

Entre os pontos já pacificados estão o aumento no tempo de contribuição, a cobrança de alíquota para pensionistas e a elevação da contribuição dos militares de 7,5% para 10,5%, que deve ocorrer de forma gradativa.

Nesta quarta, está previsto que Bolsonaro se reúna com ministros e auxiliares para bater o martelo sobre o projeto que muda as aposentadorias e reestrutura a carreira dos militares, no âmbito da reforma da Previdência. O governo prometeu entregar essa proposta ao Congresso até esta quarta. O envio pelo governo de proposta com alterações na aposentadoria dos militares tem sido apontado por líderes parlamentares como condição para o andamento da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de reforma geral da Previdência. Líderes já anunciaram que só votarão a PEC na Comissão de Constituição e Justiça da Casa Branca após o envio do projeto que trata da nova aposentadoria para militares.