Inferno astral dos bancos públicos: Caixa adia balanço; BNDES terá CPI para abrir ‘caixa-preta’

BR: Dois grandes bancos públicos estão em evidência no governo Bolsonaro neste momento, mas não exatamente por seus aspectos positivos. Na Caixa Econômica Federal, a divulgação do balanço de 2018 está sendo adiada porque, segundo comentários no mercado, o lucro previsto para ficar em R$ 15 bilhões pode ser, na ponta do lápis, 30% menor do que o esperado.

Já no BNDES, aguarda-se para os próximos dias a instalação de uma CPI na Câmara dos Deputados para investigar, em particular, os contratos internacionais firmados com países como Venezuela, Cuba e Angola, durante os governos do PT. Os tucanos do PSDB estão especialmente interessados nessa devassa. “Todos esses contratos são secretos, podendo vir a público apenas a partir de 2026”, assinala o deputado Vanderlei Macris. “Só esse ponto já desperta muitas suspeitas”. Outras iniciativas parlamentares de investigação sobre a famosa ‘caixa-preta’ do BNDES já ocorreram, mas nunca chegaram aos resultados esperados em termos de descobertas de grandes falcatruas. Agora, mais uma chance neste sentido se abre.
A respeito da situação da Caixa, acompanhe informação publicada na edição desta terça-feira 26 pela bem informada colunista Sônia Racy:

Matemática é assim

Tem gente se perguntando por que todos os bancos brasileiros já publicaram seus balanços e a Caixa Econômica não. Esta coluna foi atrás, descobriu que há muitos ajustes por fazer e que, portanto, o balanço não sairá tão cedo.

A expectativa de que a CE teria R$ 15 bilhões de lucro recorrente em 2018 está fora do esquadro. O número deve chegar mais perto de R$ 10 bilhões – 30% inferior ao projetado inicialmente, conforme adiantado ontem no Broadcast.

Quem teve acesso aos números de 2018 constatou que, se por um lado a receita extraordinária foi de R$ 4 bilhões, por outro o banco simplesmente deixou de fazer hedge do balanço – como dita a boa prática tributária.

Tomou um risco operacional e deu sorte: os juros no Brasil caíram e a CE lucrou R$ 4 bilhões. “Deve isso à redução de despesa financeira e não a qualquer estratégia”, pondera fonte a par da contabilidade.

Nota-se também pouco impacto de perdas como as provocadas pela quebra da Sete Brasil. Trata-se de consequência de regra segundo a qual o FGTS/FI tem que render TR + 6% na soma toda da carteira, e não como resultado individual de cada operação.

O resultado da aplicação de R$ 500 bilhões emprestados a vários projetos, dentro dessa modalidade, ainda é positivo.

A provisão da classificação BNDU (Bens Não de Uso) é R$ 3 bilhões maior que a esperada – resultado da soma de 70 mil imóveis devolvidos por falta de pagamento.

Por quê? Porque a retomada da moradia de baixa renda é feita, na CE, com apenas… 59 dias de atraso na parcela devida. Assim, ao “baixar” o imóvel inadimplente para o BNDU a provisão para tanto “some”.

Esses ajustes, acrescenta a mesma fonte, não geram impacto na solidez do banco mas demonstram que há muita coisa por se resolver.