Guedes vira liberal-populista e promete “vencer resistência da Petrobras para levar gás pela metade do preço às famílias brasileiras”

BR: Uma nova categoria está sendo criada para classificar os economistas. Ortodoxos, heterodoxos, liberais e intervencionistas agora têm um novo rival: o liberal-populista. Seu principal representante, conforme postura mostrada nesta sexta-feira 26, em entrevista na porta do Ministério da Economia, é ninguém menos que o ministro Paulo Guedes. Junto a ele, dentro da mesma classificação, surge o ex-presidente do Banco Central Carlos Geraldo Langoni.

Ambos ultraliberais até aqui, digníssimos representantes da famosa Escola de Chicago, para a qual quem manda na economia, sozinho e sobretudo, é o mercado, Guedes e Langoni agora falam em mudar à fórceps e com urgência a política de preços da Petrobras para o gás, de forma a reduzir-lhe drasticamente o preço. Pela metade, como quer Guedes.

Dando um prazo de, no máximo, 60 dias para alterar as regras atuais, baseadas em complexas comparações com preços internacionais e uma série de métricas sobre fatores variáveis, Guedes garantiu que vai “vencer a resistência da Petrobras” neste tema. Para a nova turma dos liberais-populistas ele anunciou que juntará também o próprio chefe da estatal petrolífera, Roberto Castello Branco, o primeiro que terá de ser convencido das boas intenções da dupla.

“A ideia é levar para as famílias brasileiras o gás pela metade do preço”, anunciou Guedes, numa das raras vezes em que deu uma entrevista na porta do Ministério, podendo ser visto pelas pessoas que passavam, como gostam os bons populistas. “Reindustrializar o País com energia barata é muito atraente para nós”, disse o ministro, ao lado de seu escudeiro Langoni, revertendo o tradicional discurso liberal de não se intrometer em assuntos de competência empresarial.

A nova postura do ministro que se anunciava o mais liberal de toda a história brasileira, até ontem, fez Guedes, como antes não se vira, até mesmo criticar um auxiliar que, hoje dentro da Petrobras, apresentou-lhe um plano de quatro anos para reduzir o preço do gás nos preceitos liberais. O ministro não gostou, acha que dois meses são mais que suficientes.


“São medidas muito simples, de uma simplicidade franciscana”, acompanhou Langoni, lembrando, apropriadamente, de São Francisco de Assis, o homem rico que abriu mão de suas posses para se tornar um santo para os pobres. Para o ex-liberal ex-presidente do BC, basta mudar regras na Agência Nacional do Petróleo e no Cade para, bingo!, fazer o preço do gás cair.

Como ninguém pensou nisso antes!

Para mostrar que realmente está mudado, Guedes prometeu que, já na próxima segunda-feira, fará reunião com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, para acelerar o projeto e intervir na política de preço do gás da Petrobras. Ele quer que mais esse quadro do primeiro escalão do presidente Jair Bolsonaro engrosse o cordão dos populistas-liberais.

Quem te viu, quem te vê, ministro!