Guedes fala à Câmara sobre caso de offshore; ministro escondeu participação de filha Paula; oposição vê falsidade ideológica; depoimento tenso

A Câmara dos Deputados ouve, nesta terça-feira (23), o ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele deve prestar esclarecimentos sobre a Dreadnoughts International, sua offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal.

O economista vem tentando fugir do depoimento, que estava marcado inicialmente para 10 de novembro. Porém, Guedes não foi até o Congresso e não apresentou nenhuma justificativa. E nem pediu uma nova data.

Na véspera, dia 9 de novembro, ele enviou à Câmara documentos que podem trazer indícios de falsidade ideológica.

A Declaração Confidencial de Informações (DCI), um dos papéis entregues por Paulo Guedes, contém dados patrimoniais, familiares e comerciais, e deve ser apresentada por todo o alto escalão do governo à Comissão de Ética Pública.

O ministro teria mentido em duas perguntas do questionário que consta na declaração. Guedes marcou ‘NÃO’ quando deveria ter assinalado ‘SIM’. Ele afirmou não possuir cônjuge, companheiro ou parente que atuasse “em área ou matéria afins à competência profissional do cargo” que exerce.

Perguntado se possuía “sócio ou empregado de pessoa jurídica que atua em área ou matéria afins às atribuições do cargo que ocupa”, disse que ‘NÃO’.

Segundo a Carta Capital, o correto seria que Guedes tivesse marcado ‘SIM’ nas duas respostas. A razão para ele ter mentido é Paula Drummond Guedes, sua filha.

Paula Drummond Guedes e a Dreadnoughts International

O ministro colocou a filha de sócia da Dreadnoughts quando abriu a empresa, em 2014. Os dois também eram os diretores, mas Guedes abriu mão da direção da empresa em 21 de dezembro de 2018, logo antes de assumir o Ministério da Economia.https://b2deeb13750d00045ccd92460aa994cf.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

“Era uma tentativa de adequar-se ao Código de Conduta da Alta Administração Federal, que proíbe autoridades de possuir negócios que possam lucrar com decisões ou informações privilegiadas. Ou seja, Guedes seguiu dono da empresa, mas diz que não se envolve nela”, diz André Barrocal na reportagem da Carta Capital.

A filha do economista, contudo, ainda é diretora da empresa. Portanto, ele deveria ter dado uma resposta diferente no DCI.

Guedes mentiu

Segundo o deputado Elias Vaz (PSB-GO), Guedes “mentiu à Comissão de Ética” e o caso é “gravíssimo”.https://b2deeb13750d00045ccd92460aa994cf.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Ex-presidente da Comissão de Ética Pública, o advogado Mauro Menezes vê indícios de crime de falsidade ideológica. “Ele induziu a Comissão de Ética a erro.”

Pelo artigo 299 do Código Penal, a pena para este crime é de um a cinco anos de cadeia.