Economist Paulo Guedes, future economy minister of Brazil's President-elect Jair Bolsonaro arrives for a meeting in Brasilia, Brazil November 20, 2018. REUTERS/Adriano Machado

Guedes bate o pé e define piso da reforma: “Se não der uma economia de R$ 1 trilhão, estaremos assaltando as futuras gerações”

Em entrevista ping-pong ao jornal O Estado de S. Paulo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou a apresentação uma “pauta positiva” após a aprovação da reforma da Previdência pelo Congresso. “Vem uma pauta positiva aí: PEC do pacto federativo, simplificação e redução dos impostos, aceleração da privatização, desestatização do mercado de crédito, abertura da economia”, apontou ele. “Vem aí o choque da energia barata em mercado. Isso vai permitir uma redução do custo de energia de quase 50%. É tanta coisa boa que tem que fico com pena do Brasil de ficar discutindo sexo dos anjos, ser tão pequenininho”, comentou.

Guedes acentuou que articula a apresentação no Senado de uma Proposta de Emenda Constitucional que acaba com os gastos obrigatórios previstos nos orçamentos da União, Estados e municípios. O objetivo é dar aos políticos o controle total sobre os recursos públicos. “Eles vão entender que, em vez de discutir R$ 15 milhões ou R$ 5 milhões de emendas, vão discutir R$ 1,5 trilhão de Orçamento da União, mais os orçamentos dos municípios e dos Estados”, afirmou. “Os políticos têm de assumir as suas responsabilidades, as suas atribuições e os seus recursos”, disse ele. O projeto está pronto e ganhou força diante do rombo nas finanças estaduais e municipais.

O ministro também afirmou que irá aceitar mudanças a serem feitas pelos parlamentares na PEC da Previdência, mas reafirmou sua meta. “A economia de R$ 1 trilhão é o piso”, cravou. “Quer reduzir a idade mínima das mulheres para 60 anos? A economia cai R$ 100 bilhões. Se cair a idade mínima das mulheres, não poderá mexer nas regras do rural, no BPC (Benefício de Prestação Continuada). Se quer reduzir a idade da mulher, tira do militar. Se quer dar para o militar, tira do rural”, exemplificou. “No total, tem de dar R$ 1 trilhão. Se não der uma economia de R$ 1 trilhão, estaremos assaltando as futuras gerações. Vamos deixar os pequenininhos pagando para a gente de novo. Vai estourar o regime e eu não consigo lançar a carteira verde amarela, para os jovens”, justificou.

O ministro explicou com clareza o seu plano. “Quero uma reforma com potência fiscal suficiente para eu poder bancar a transição para o regime de capitalização. Como eu resolvo isso? Só com os jovens – e tem de ter uma potência de R$ 1 trilhão para alavancar. A segunda exigência para viabilizar o sistema é acabar com os encargos trabalhistas. Essa reforma é só o começo. Vamos mexer mais. Já, Já. Mas primeiro eu preciso de uma potência fiscal para ter fôlego”, insistiu. Perguntado se irá desistir do sistema de capitalização da Previdência caso não atinja sua meta de economia com a reforma, Guedes demonstrou preocupação: “Não vou dizer que desisto. Mas é uma ameaça séria”.