São Paulo (SP), 15/06/2018 - Personagem: Paulo Guedes. Foto: Silvia Zamboni/Valor/Agência O Globo

Guedes retroalimenta baixa atividade com anúncio de novo contingenciamento este mês, após corte de R$ 29,8 bi

BR: É o que se chama em economia retroalimentar uma situação ruim. Com a atividade econômica em baixa, perto do zero, o governo já projeta uma nova colaboração para o não crescimento ao anunciar, hoje, um novo contingenciamento, ainda este mês, após o corte de R$ 29,8 bilhões feito em seu Orçamento. Os planos só irão mudar, segundo o secretário da Fazenda, Waldery Rodrigues Júnior, se a arrecadação de impostos aumentar.

Ocorre que, sem atividade, não há como a arrecadação aumentar. Ao mesmo tempo, o corte é um exemplo para a iniciativa privada, no sentido de adiamento de investimentos.  

A justificativa para o corte é o de garantir o cumprimento da meta fiscal deste ano, com a equipe econômica destacando a existência de riscos fiscais adiante ao cortar também sua previsão de receitas, conforme relatório bimestral de receitas e despesas divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério da Economia.

No documento que justificou o contingenciamento de R$ 29,8 bilhões, a equipe econômica reduziu a receita líquida esperada pelo ano em 26,182 bilhões de reais, a 1,274 trilhão de reais. Já a estimativa de despesas foi revisada para cima em 3,611 bilhões de reais, a 1,442 trilhão de reais.

Em relação aos parâmetros econômicos, o relatório diminuiu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a 2,2 por cento este ano, sobre 2,5 por cento antes. Já o cálculo para a inflação medida pelo IPCA foi a 3,8 por cento, sobre 4,2 por cento.

A meta de rombo primário deste ano é de 139 bilhões de reais para o governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência).