Governo negocia compra de 70 milhões de doses da vacina da Pfizer; “Em dezembro não conseguiremos”, diz presidente da empresa no Brasil; “Nosso objetivo teria de ser vacinar a partir de janeiro”

O presidente da Pfizer Brasil, Carlos Murillo, disse nesta terça-feira (8), em audiência pública na comissão externa da Câmara dos Deputados sobre a Covid-19, que deve ser assinado nesta semana o termo de intenção de compra pelo governo da vacina fabricada pela empresa e pela Biontech contra a doença.

Ele prevê a possibilidade de vacinação já em janeiro, mas não fez uma estimativa precisa de quantas doses seriam entregues até o próximo mês.

“Alguns países vão começar agora em dezembro. Nós, em dezembro, não conseguimos. Nosso objetivo realmente teria que ser janeiro”, disse. Segundo Murillo, no começo, serão fornecidas quantidades menores, que irão aumentando progressivamente.

anúncio do fornecimento de 70 milhões de doses pelas empresas em 2021, após a assinatura do memorando de intenção de compra, foi feito nesta segunda-feira (7) pelo Ministério da Saúde.

Ministério da Saúde negocia compra de doses da vacina da Pfizer
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Segundo Carlos Murillo, o contrato final será assinado depois que o imunizante receber autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“O concreto é que a oferta da Pfizer é de 70 milhões, com quantitativo que vai começando apenas depois de sair o registro da Anvisa, que pode ser em janeiro, e vamos aumentando esse quantitativo à medida que transcorrer o ano”, afirmou o presidente da Pfizer.

Nesta segunda-feira (8), o governador João Doria (PSDB) anunciou o início da vacinação em São Paulo no dia 25 de janeiro — a vacina é a CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan, cuja proposta de compra pelo governo federal foi vetada pelo presidente Jair Bolsonaro.

O presidente da Pfizer disse que eventual demora do governo em assinar o contrato com a farmacêutica pode comprometer o cronograma de entrega das vacinas no quantitativo desejado.

“Essa tem sido a dinâmica. Alguns países assinaram tempos atrás e por isso já estão começando a vacinar. No Brasil, acho que estamos perto, vamos conseguir, mas ainda não assinamos. Cria obviamente uma limitação de segurança da disponibilidade de doses”, afirmou.

Murillo destacou que a quantidade de doses ofertada ao Brasil está garantida, mas disse que, quanto mais se demora para assinar o contrato e aprová-lo, “menos segurança temos dessas doses lá na frente”.

“Já falei com alguns presidentes [da empresa] de outros países e todo mundo está precisando de quantitativo o mais rápido possível. Então, quanto mais demorar, qualquer país, em assinar, o disponível fica sendo menor”, explicou.

Autorização emergencial

Segundo Murillo, tanto a assinatura do memorando de intenção quanto a divulgação de novas regras, por parte da Anvisa, para autorização de uso emergencial da vacina devem acelerar o processo.

“Vamos readequar para utilizar esse mecanismo [de autorização emergencial]. Entendemos que esse mecanismo pode ser mais rápido do que o processo da submissão contínua”, disse.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

A Pfizer, segundo Murillo, já tinha dado entrada no processo na Anvisa em novembro, ainda antes de a agência estabelecer requisitos para as farmacêuticas solicitarem autorização emergencial de uso das vacinas contra Covid.

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‘Conteiner’

Murillo explicou que foi desenvolvida uma espécie de “container” capaz de armazenar a vacina por até 30 dias em gelo seco e mais cinco dias em refrigerador comum.

“Para permitir a conservação nesses conteiners até 30 dias, o gelo seco tem que ser trocado para manter a temperatura baixa”, disse.