General Chagas, investigado pelo STF, ataca a Corte: “Critério do compadrio”

Paulo Chagas, general do Exército que alvo de busca e apreensão por ordem do STF (Supremo Tribunal Federal) que apura a divulgação de notícias falsas contra a corte, disse ao UOL que não representa ameaça aos ministros. O oficial da reserva e ex-candidato a governador de Brasília pelo PRP (Partido Republicano Progressista) afirmou que fez “um alerta” sobre efeitos da “esculhambação” causada por falta de segurança nas decisões judiciais.

No despacho que ordenou buscas num apartamento do militar em Águas Claras, em Brasília, o ministro Alexandre de Moraes disse ele pregou o julgamento e a substituição de magistrados sob as regras de um tribunal de exceção. “Em pelo menos uma ocasião, o investigado defendeu a criação de um Tribunal de Exceção para julgamento dos Ministros do STF ou mesmo substituí-los”, escreveu o ministro. “Há postagens nas redes sociais de propaganda de processos violentos ou ilegais para alteração da ordem política e social, com grande repercussão entre seguidores”, disse Moraes.

Paulo Chagas vê a importância do STF em contraposição às indicações de ministros. “O STF é uma instituição importantíssima para a democracia”, disse. “E a pré-condição para a pessoa integrar essa suprema corte é rigorosíssima, que não tem sido seguida. Tem sido utilizado o critério do compadrio, do ‘meu amigo’. Só você ver as pessoas que estão lá, a vinculação política delas, a vinculação das autoridades que as indicaram, não pelo saber jurídico.”