Fusão da Fiat Chrysler com Peugeot-Citroën aprovada por acionistas; negócio de US$ 52 bilhões cria 4ª maior montadora do mundo; Stellantis

Anunciada no final de 2019, a fusão entre os grupos Fiat Chrysler (FCA) e Peugeot-Citroën (PSA) foi aprovada nesta segunda-feira (4) pelos acionistas das fabricantes. O resultado do negócio de US$ 52 bilhões será a quarta maior montadora de veículos do mundo, batizada de Stellantis.

Somando as vendas das 14 marcas que compõem a nova empresa, foram vendidos 8,7 milhões de unidades em todo o mundo em 2018. O número é menor que o registrado por Toyota, com 10,5 milhões, Volkswagen, com 10,6 milhões, e a aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, com 10,7 milhões.

Em 2019, PSA e FCA venderam juntas 7,9 milhões de veículos — atrás de Toyota (10,7) e Volkswagen (10,9). O grupo franco-nipônico ainda não divulgou os resultados de 2019 por divergências envolvendo o ano fiscal japonês.

Uma das propostas da fusão é a economia a partir de cooperações entre as marcas, como o acesso às plataformas e tecnologias, com foco em eletrificação e direção autônoma, além do fortalecimento em mercados em que algumas de suas marcas não têm grande participação.

De acordo com o presidente-executivo da FCA, Mike Manley, 40% dos mais de 5 bilhões de euros em sinergias serão de convergência de plataformas, motores e transmissões, além da otimização de investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Quando anunciadas as negociações em 2019, a nova empresa tinha como meta não fechar nenhuma fábrica. Atualmente as marcas somam mais de 400 mil funcionários, e receita líquida de mais de 180 bilhões de euros.

Prevendo mudanças em alguns planos pelo impacto causado pela pandemia do coronavírus em 2020, o G1 questionou FCA e PSA sobre o compromisso de manter as fábricas, além de pedir atualizações sobre números de economias, investimentos e funcionários, e aguarda retorno.

Fusão Peugeot e Fiat — Foto: Arte/G1

Fusão Peugeot e Fiat — Foto: Arte/G1

Veja mais detalhes sobre a Stellantis:

  • FCA teria acesso às plataformas de veículos mais modernas da PSA, ajudando-a a cumprir regras rígidas de novas emissões;
  • Concentração em eletrificação, direção autônoma e conectividade;
  • Todos os segmentos serão considerados, de carros de luxo, a SUVs, picapes e comerciais leves;
  • Ainda não há previsão de quando será apresentado o primeiro modelo da fusão;
  • Foco será em duas plataformas: uma pequena e uma compacta/média;
  • Serão 14 marcas ao todo: Fiat, Chrysler, Maserati, Jeep, Abarth, Alfa Romeo, Lancia, Dodge e Ram, da FCA, além de Peugeot, Citroën, Opel, Vauxhall e DS da PSA;
  • Total de 5 bilhões de euros em economias anuais;
  • O custo total para alcançar essas economias é estimado em 4 bilhões de euros;
  • Fusão terá proporção 50/50;
  • Empresa controladora do grupo será sediada na Holanda;
  • Não são considerados fechamentos de fábricas;
  • O atual executivo-chefe da Peugeot, Carlos Tavares, será o CEO e membro do conselho em um mandato inicial de 5 anos;
  • O atual presidente da FCA, John Elkann, será o presidente do novo grupo.

Fusão forma o maior grupo do Brasil

Enquanto em proporção global o grupo Stellantis é o quarto maior, no Brasil ele detém a liderança do mercado considerando os números acumulados de janeiro a novembro de 2020, com 2.406.917 automóveis e comerciais leves emplacados. Os dados são da associação dos concessionários, a Fenabrave.

Somando todas as marcas pertencentes à FCA, como Fiat e Jeep, além de Citroën e Peugeot, as duas únicas da PSA em operação no mercado brasileiro, mais de 400 mil veículos.

Sozinha, a Fiat vendeu 282 mil unidades, enquanto a Jeep vendeu 95 mil. A Citroën emplacou 12,6 mil veículos, enquanto a Peugeot teve 11,5 mil.

Logo atrás, a Volkswagen, somada com a Audi (de propriedade do Grupo Volkswagen), teve 299 mil carros vendidos em 2020. A Chevrolet vem em seguida, com 296 mil unidades. Em quarto lugar está a líder global Renault-Nissan-Mitsubishi com 187 mil veículos emplacados.