Fome e desigualdade; Prêmio Nobel da Paz ao Programa Mundial de Alimentos da ONU; “Força motriz”; ação em 88 países

O prêmio Nobel da Paz de 2020 foi concedido ao Programa Mundial de Alimentos da ONU, que combate a fome no mundo, nesta sexta-feira (9).

Segundo a Academia Sueca, o programa foi premiado “pelos seus esforços para combater a fome, pela sua contribuição para melhorar as condições para a paz em áreas afetadas por conflitos e por atuar como força motriz nos esforços para prevenir o uso da fome como arma de guerra e conflito”.

A organização atua em situações de emergência e em países afetados por conflitos, onde há mais risco de desnutrição.

O porta-voz do Programa Mundial de Alimentos, Tomson Phiri, disse que o prêmio para a agência “é um momento de orgulho”. Ele participava de um encontro semanal na sede das Nações Unidas em Genebra quando foi surpreendido com o anúncio do Nobel.

“Este ano nós tivemos que atender a uma convocação para agir”, disse Phiri, se referindo ao atendimento às vítimas da fome durante a pandemia do novo coronavírus.

Segundo a organização do Nobel, o programa já seria um merecedor do prêmio sem a pandemia, mas com a Covid-19 os motivos ficaram mais evidentes: a comida está menos disponível. Nesse cenário, “o programa da ONU demonstrou uma habilidade impressionante de intensificar seus esforços”, afirmou o comitê.

O diretor do escritório brasileiro do programa, Daniel Balaban, disse que o anúncio foi “uma surpresa completa” e defendeu o trabalho contínuo desta agência das Nações Unidas. Ele reforçou a importância do combate à fome para a redução dos conflitos.

“A desigualdade leva à desesperança”, disse Balaban. “O WFP é fundamental. E se ele parasse agora, muito gente morreria de fome.”

Necessidade de cooperação multilateral

“A necessidade de solidariedade internacional e cooperação multilateral é mais evidente do que nunca”, disse a presidente do conselho do Nobel, Berit Reiss-Andersen, em uma coletiva de imprensa após o anúncio.

Para decidir o vencedor do prêmio, a organização levou em conta que a cooperação multilateral é necessária para combater a fome.

“Aparentemente, há uma falta de respeito ao multilateralismo no passado recente”, disse Reiss-Andersen.

Milhões de pessoas em 88 países

O órgão ligado à ONU tem sede em Roma e é a maior entidade que combate os problemas de fome e promove segurança alimentar no mundo –a cada ano, o Programa de Alimentos deu auxílio a cerca de 97 milhões de pessoas, em 88 países, de acordo com sua página na internet.