Folha: vaidade de Joice, desarticulação de líderes e ingenuidade coletiva prejudicam PSL na Câmara

BR: A edição desta segunda-feira 18 do jornal Folha de S. Paulo contém matéria de página inteira, assinada pela repórter Thais Bilenky, sobre estrelismos e desarticulações na bancada federal do PSL. O texto cita os casos da deputada Joice Hasselmann (SP), que teve mais de 1 milhão de votos na eleição, do líder do governo Major Vitor Hugo (GO) e do delegado Waldir (PR) como exemplares da vaidade e da falta de sintonia que tomam conta da bancada. A indicação, por outro lado, de dois nomes para comandar a CCJ – Bia Kicis e Filipe Francischini foi nova mostra de falta de unidade na bancada. A conclusão é a de que, até agora, o PSL na Câmara não está apoiando o governo Bolsonaro como poderia em razão do número de deputados que possui.

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Estrelismos e disputas internas do PSL ameaçam governo na Câmara

Com 54 integrantes, o PSL tinha condições de ser um ativo do governo em suas articulações com o Congresso, mas a bancada deu mostras até agora de que será um obstáculo para o Palácio do Planalto, aponta a Folha de S. Paulo (A10). A deputada Joice Hasselmann teve como iniciativa parlamentar inicial registrar a primeira CPI da legislatura, sobre a tragédia da barragem da Vale, em Brumadinho. Mas quando uma maioria se formava para transformar a CPI em CPMI, uma comissão mista, ela rechaçou a ideia para não perder o protagonismo. Uma assessora parlamentar disse que se Joice conhecesse o regimento, podia transformar a CPI dela em mista e não perderia a autoria. O líder do governo, Major Vitor Hugo, convocou logo no dia 5 uma reunião de líderes para negociar a reforma da Previdência. Nem ele compareceu, depois das críticas que sofreu por falar em “apoio consistente” e “apoio condicionado” dos partidos. Na última semana, a Câmara votava projeto que acelera o bloqueio de bens de investigados e acusados de terrorismo, mas o líder do PSL, Delegado Waldir, na última hora, orientou contra a aprovação de dois destaques previamente combinados com o Novo, e o projeto foi aprovado sem as emendas previstas. Nesta semana, a Mesa Diretora definiu que a CCJ  será presidida pelo PSL. O partido primeiro indicou Bia Kicis, mas depois apontou Felipe Francischini. O vaivém evidencia a disputa que a bancada não consegue resolver internamente, disseram líderes, e a consequência é a descrença na força que o governo terá na Câmara.

O deputado Charlles Evangelista (MG) foi excluído do grupo de Whatsapp da bancada depois de manter a sua campanha para a segunda vice-presidência da Câmara à revelia.

“Luciano Bivar (presidente do PSL) colocou a candidatura dele sem deliberação nenhuma. Sofri pressão do grupo dele, o Julian [Lemos (PSL-PB)], Francischini, Waldir. Disseram que sofrerei sanção. Na eleição de 2022, eu poderia ser prejudicado de alguma forma”, disse Evangelista.

Ele foi para o enfrentamento como avulso. Obteve 161 votos e Bivar, 240, levando a eleição foi para o segundo turno. Bivar finalmente venceu o correligionário, mas por margem apertada, de 198 a 184.
Desde então não se tocou mais no assunto.

“Ficaram meio magoados com a quantidade de votos que eu tive, provavelmente”, afirmou o mineiro. “Mas meu compromisso é estar apoiando o presidente Bolsonaro e isso aí vou fazer no partido em que eu estiver.”

Bivar não respondeu ao contato feito pela Folha. Major Vitor Hugo não quis comentar. Delegado Waldir minimizou as dificuldades que as desavenças da bancada podem impor ao governo. “Nós realmente temos alguns grupos diferentes”, disse. “Temos palmeirenses, corintianos, são-paulinos, santistas. Nós respeitamos.” d98892f1d41