Fim da picada: um dia após mandar carta com juras de aceitar Coaf na Economia, governo ensaia volta para a Justiça

BR: Na árdua sessão do Senado, ontem à noite, que aprovou a medida provisória 870 e garantiu a volta do Coaf para o Ministério da Economia, uma carta assinada por ninguém menos que o presidente Jair Bolsonaro e os ministros Onyx Lorenzoni, Paulo Guedes e Sergio Moro fez a diferença. No texto, repleto de assinaturas, a cúpula do governo garantiu que aceitava de bom grado as alterações feitas pela Câmara dos Deputados, não sendo necessário que os senadores se digladiassem, como ocorreu durante a sessão, por devolver o órgão de fiscalização de movimentações financeiras para o âmbito do Ministério da Justiça. O importante, juramentou a carta, era que se mantivesse a estrutura de 22 ministérios, garantindo-se que não haveria mais objeções à perda do Coaf por Moro.

Hoje, porém, após a MP 870 ser aprovada, a promessa já está sob suspeição.

Informação do colunista Tales Faria, do UOL, dá conta de que a Advocacia Geral da União encontrou uma base legal para devolver o Coaf ao Ministério da Justiça sem precisar da autorização do Congresso. A portaria 4.113, editada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso em 5 de fevereiro de 2002,  permite remanejamentos internos na estrutura de governo, sem necessidade de aval do Congresso, desde que não signifiquem gastos para a União.

O governo voltou, com essa novidade, a estudar a volta do Coaf para a jurisdição de Sergio Moro.

Completar o movimento, no entanto, vai ser o mesmo que rasgar a carta repleta de promessas e declarar mais uma guerra com o Congresso. O gesto seria visto não menos do que como uma traição.

Bolsonaro vai pagar o preço? A ver cenas dos próximos capítulos.