Filhos de Bolsonaro perdem R$ 220.000 na Bolsa e reclamam, mas despertam novas suspeitas sobre origem de patrimônio pessoal

BR: Reportagem da revista Época, da editora Globo, que circula nesta quinta-feira 28 mostra que o vereador Carlos Bolsonaro, filho 02 do presidente Jair Bolsonaro, perdeu R$ 130.800 na Bolsa de Valores de São Paulo e tentou, sem sucesso, recuperar o prejuízo na Justiça. Nesse movimento, ele levantou suspeitas sobre a origem do dinheiro que perdeu.

Em maio de 2007, o filho do presidente começou a investir em ações pela corretora Intra, com sede em São Paulo. Ele aplicou R$ 130.800. Dois anos depois, com a crise financeira já instalada, ele foi informado de que não só havia perdido tudo o que investira como ainda estava devendo R$ 15.500. Inconformado, Carlos foi à Justiça pedir ressarcimento do prejuízo e indenização por danos morais. A ess altura a Intra já havia sido vendida à Citigroup Global Markets, hoje ré na ação. Ele alegou que queria aplicar em ações de primeira linha, mas a corretora fez operações à sua revelia, incluindo apostas no mercado futuro. Em agosto do ano passado, Carlos perdeu em primeira instância. A juíza Gisele Valle Monteiro da Rocha, da 35ª Vara Cível de São Paulo, escreveu na sentença que o vereador carioca tinha pleno conhecimento das aplicações em seu nome durante dois anos, mas só reclamou depois de perder tudo o que havia investido. Ela ressaltou que a BM&FBovespa mandou a ele extratos quinzenais com todas as operações realizadas. “A alegação de ignorância não prospera”, registrou a juíza.

O texto de Época diz que, além da tese da ignorância, chama a atenção a quantia vultosa aplicada por Carlos em ações. Na época, ele tinha 25 anos e estava em seu primeiro mandato como vereador, com salário de R$ 9.288. Ele não declarou ter aquela quantia à Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro. Em 2012, porém, ter anos depois de ter contabilizado o prejuízo de R$ 130.800, Carlos declarou ter um patrimônio 73,8% superior ao de 2008. De 2012 a 2016, seu patrimônio de outro salto, de 70%.

Uma ação judicial idêntica, contra a mesma corretora, foi movida pelo irmão de Carlos, Flávio, o Zero Um. Ele afirmou ter investido R$ 90 mil entre 2007 e 2008. Ele também disse ter sabido de prejuízos por um gerente da corretora e, assim como fizera o irmão, depositou R$ 15.000 em dinheiro para cobrir despesas da corretora. Na Justiça, Flávio também argumentou que jamais teve controle sobre as aplicações, mas um laudo da perícia mostrou que ele acessou 66 vezes o Home Broker para acompanhar as operações. A Justiça, nesse caso, ainda não deu seu veredito.

“Nem a mais pueril das criaturas poderia tomar a história de Flávio como crível”, afirmou o advogado da corretora. Assessores do senador Flávio disseram à revista que ele não comentaria o assunto.