Filho de Milu, Ricardo Villela antecipa disputa com os Setúbal e Moreira Salles por presidência do Itaú

BR: Maior acionista do banco Itaú, a família Villela quer, finalmente, exercer a presidência da instituição. Comandado desde sempre pelos egressos da família Setubal, o banco tem no atual presidente Cândido Bracher Botelho uma exceção à regra. Por força dos estatutos, porém, ele deixará o cargo no ano que vem para se aposentar. Desde já, como informa o bem informado Relatório Reservado, o CEO Itaú para a América Latina, Ricardo Villela Marino, se movimenta para ocupar a posição, mas terá de enfrentar as articulações em contrário do ex-presidente Roberto Setubal, que nunca deu margem aos Villela no escalão de comando do dia a dia do banco.

Ricardo tem em sua mãe, Milu Villela, seu principal cabo eleitoral. Ela, afinal, é a maior acionista individual do Itaú. O problema, para ele, é que nunca foi reconhecido como um executivo presente no dia a dia do banco. Antes de cuidar do setor de América Latina, Ricardo atendia pela área internacional do Itaú, distante da gestão cotidiana dos negócios do banco no Brasil.

DÍVIDA DE SANGUE

O que torna a sucessão no comando do Itaú uma equação complexa é o fator Moreira Salles, que controlava o Unibanco. A família Setúbal tem, como se diz no mercado, uma dívida de sangue com os Moreira Salles, porque foi a fusão entre o Itaú e o Unibanco, em 2008, que deu a liderança do mercado nacional à instituição dos Setúbal/Villela. Para o ex-presidente Roberto Setubal, que dá as cartas na família, prestigiar os Villela, como nunca antes foi feito, e ignorar sua aliança com Pedro Moreira Salles é quase que um movimento antinatural. Se uma pacificação não for alcançada em breve, a disputa pelo comando do Itaú Unibanco promete ser das mais agitadas. Os investidores estão atentos.

Atento à regra de quem se antecipa tem preferência, Ricardo faz sua campanha até aqui sem adversários, mas longe de ser considerado favorito. Como já se viu, uma composição entre os Setubal e os Moreira Salles em torno de um nome novo simplesmente liquidaria as chances de um Villela chegar ao poder, sonho alimentado por Milu que nunca se materializou.

O RR desenha uma árvore genealógica que mostra como os Villela sempre foram excluídos da história principal do Itaú. Maria de Lourdes Egydio Villela, a Milu, é filha de Eudoro Libânio Villela, considerado o grande nome pouco mencionado na história do Itaú. No filho Ricardo, ela vê a chance de reescrever essa história.