FHC ajusta posição frente a Lula e até alivia para Bolsonaro: “É um vírus, algumas pessoas pegariam de todo jeito”; sobre o ex-presidente, “se eu fosse o Lula, não entraria em uma terceira candidatura”; mas não é

Aos 90 anos, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso afirma que, se fosse o Lula, não entraria em uma terceira candidatura” em 2022.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) afirma que falta comando e sensibilidade em Jair Bolsonaro (sem partido) na gestão da pandemia do novo coronavírus.

“Já fui presidente e sou cuidadoso para não jogar a culpa no presidente. O caso do coronavírus, obviamente, é um vírus. Algumas pessoas pegariam de todo jeito. Mas a falta de cuidado parece ser grande. Ele fala e depois pensa. E isso é ruim porque a palavra do presidente tem um valor simbólico muito grande”, disse FHC durante entrevista à emissora Band.

O ex-presidente caracteriza o atraso da vacinação contra a COVID-19 no Brasil como “trapalhada”. “Vão acusá-lo de várias responsabilidades, e algumas ele tem. Mas não adianta tapar o sol com a peneira, tem que enfrentar. Sei que é difícil e, por isso, não jogo mais uma pá de cal em cima”, complementa.

© AFP 2021 / MIGUEL SCHINCARIOLLula faz discurso no Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo (SP).

Eleições 2022

Questionado sobre o pleito de 2022, Fernando Henrique Cardoso manifesta preocupação com o enfraquecimento do centro político. “É preciso um centro que olhe para o povo”.

“Da última vez, eu votei em branco. Espero que apareça um candidato que expresse um sentimento mais democrático e mais construtivo. Mas, se não houver isso, no Bolsonaro eu não voto”, garante o ex-presidente.

Para FHC, Lula não é alternativa à Bolsonaro é apenas “mais do mesmo”.

“Lula é a repetição de uma fórmula que nós já conhecemos: o Estado mais forte com muito apoio à iniciativa privada. Pode ser um caminho de crescimento, mas não é disso que o país precisa. Se eu fosse o Lula, não entraria em uma terceira candidatura”, conclui.