Fernando de Noronha: ministro do Meio Ambiente vai à ilha para cumprir ordem de Bolsonaro para derrubar taxa de turismo; populismo e preservação em conflito

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, vai viajar nesta semana a Fernando de Noronha para negociar a redução do ingresso cobrado para frequentar o Parque Nacional Marinho, onde ficam as praias mais famosas da ilha. Alvo de críticas do presidenteJair Bolsonaro, a taxa é defendida por ambientalistas e por operadores de turismo, que alegam que a esse tipo de cobrança é praticado normalmente em outros países, como os Estados Unidos, e que o valor ajuda a preservar o local.

Responsável por administrar o parque marinho desde 2012, data do contrato com o governo federal, a concessionária EcoNoronha cobra taxa de R$ 106 para brasileiros e de R$ 212 para estrangeiros. Do total arrecadado, 70% é revertido na conservação de áreas de proteção ambiental e também em melhorias para o turismo, como revitalização de trilhas, instalação de rampas de acesso às praias e de postos de controle e monitoramento.

No fim de semana, Bolsonaro a classificou, em publicação no Facebook, a taxa como “roubo praticado pelo governo federal” e disse que isso explicaria “porque quase inexiste turismo no Brasil”. Na terça-feira, 16, ele voltou a criticar, desta vez no Twitter: “O Brasil é o 1° país do mundo em belezas naturais, mas um dos últimos em receita no turismo”, escreveu. “Fernando de Noronha é um exemplo de como não se deve fazer turismo.”