Fenaj fez as contas: Bolsonaro atacou a imprensa 116 vezes em 2019; quase dez vezes a cada mês

presidente Jair Bolsonaro não demorou para atacar a imprensa em 2020. Nesta segunda (6) o mandatário disse que o jornalismo está em extinção e que ele deveria vincular a profissão ao Ibama. Em 2019 foram 116 ataques, ou seja, quase dez ataques por mês a profissionais jornalistas, a veículos de comunicação e à imprensa em geral, segundo dados da Federação Brasileira de Jornalismo (Fenaj).

Segundo os dados da federação, foram 11 ataques a jornalistas, e 105 tentativas de descredibilização da imprensa

Nesta segunda, o presidente falou que quem lê as notícias publicadas pela imprensa está desinformado.

“Quem não lê jornal não está informado. E quem lê está desinformado. Tem de mudar isso. Vocês são uma espécie em extinção. Eu acho que vou botar os jornalistas do Brasil vinculados ao Ibama. Vocês são uma raça em extinção”, afirmou nesta manhã ao sair do Palácio da Alvorada.

“É importante a informação, não a desinformação ou o fake news. Por exemplo, eu cancelei todos os jornais do Palácio do Planalto. Todos, todos, não recebo mais papel de jornal ou revista. Quem quiser que vai comprar”, disse.

No sábado (4), Bolsonaro já havia criticado a cobertura jornalística do governo ao comentar por meio do Twitter uma reportagem do Uol que mostra que ele usou recursos do fundo eleitoral na campanha na qual foi reeleito deputado em 2014.

Na mensagem, Bolsonaro acusa o veículo de mentir porque a lei atual que trata do financiamento público foi aprovada em 2017.

Na fala desta segunda-feira no Palácio da Alvorada, o presidente voltou a citar a reportagem:

“O UOL falou: Bolsonaro falou para não votar em candidatos que usem o fundão, mas ele usou em 2014. O fundão é de 2017. É de uma imbecilidade. Não vou dizer todo mundo aqui, para não ser processado pela ANJ [Associação Nacional de Jornais] e não sei o quê, mas é de uma imbecilidade. Não sabe nem mentir mais”.

No entanto, a possibilidade de dinheiro público financiar campanhas já existia. A mudança que a lei aprovada pelo Congresso em outubro de 2017 trouxe foi a exclusividade da verba eleitoral ser de dinheiro público e de pessoas físicas, sem a participação de empresas.

De acordo com a reportagem do Uol, Bolsonaro usou R$ 200 mil de dinheiro público  destinado ao PP em 2014.