“Falta resposta do Parlamento às ofensivas do presidente”, constata Ramos, o vice da Câmara que quer mudar a lei do impeachment; mais de 100 pedidos represados por Arthur Lira

O vice-presidente da Câmara dos Deputados,  Marcelo Ramos (PL-AM), defende uma mudança na lei do impeachment. O congressista quer que a lei estipule um prazo para que o presidente da Câmara decida sobre os pedidos que são apresentados. Hoje a Câmara acumula mais de 100 pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).Deputado Marcelo Ramos, (PL-AM) vice-presidente da Câmara dos Deputados, durante entrevista no estúdio do Poder360 na 4ª feira (4.ago.2021)© Sérgio Lima/Poder360 04.08.2021 Deputado Marcelo Ramos, (PL-AM) vice-presidente da Câmara dos Deputados, durante entrevista no estúdio do Poder360 na 4ª feira (4.ago.2021)

Em entrevista ao Poder360 nesta 4ª feira (4.ago.2021), Marcelo Ramos disse que ainda que a decisão de acatar ou não, ler ou não o pedido e abrir a comissão seja unilateral do presidente da Câmara, ele “precisa ter prazo para decidir sobre isso”.

O vice-presidente da Casa reforçou, no entanto, que este não é um problema do presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e sim da legislação, que de acordo com Ramos, deve ser modificada.

O deputado diz que o presidente da República tem ultrapassado alguns limites e que isso deveria ser investigado na Câmara. Ele cita como exemplo as críticas do presidente ao sistema eleitoral e as ameaças à realização das eleições em 2022.

Dizer que não vai ter eleição e que não vai dar posse ao presidente eleito se a eleição não for como ele quer, é desrespeitar a decisão da maioria do povo brasileiro, e isso me parece tangencial crime de responsabilidade e deveria ser objetivo de uma investigação na Câmara dos Deputados”.

Questionado se analisaria um dos mais de 100 pedidos caso ocupasse a presidência da Câmara, o deputado disse que analisaria a “conjuntura jurídica e política” para saber se um presidente em exercício pode tomar uma decisão tão grande como dar início ao rito do impeachment.

“Eu assumo apenas em caso do presidente da Câmara estar no exterior ou assumir a presidência da República. E esses cenários não estão dados. Caso aconteça, eu vou analisar os cenários jurídicos e políticos para tomar essa decisão”.

Em julho, Marcelo Ramos pediu a Arthur Lira acesso aos pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro.

Indagado sobre a falta de uma postura mais firme do Congresso em relação às ameaças do presidente sobre as eleições de 2022, o congressista disse que falta uma postura mais incisiva.

Falta resposta clara do parlamento a ofensivas do presidente”, disse Ramos. Ontem, ao exercer a presidência da Câmara na sessão, o deputado afirmou em um recado direto a Bolsonaro que as eleições de 2022 serão realizadas e que serão realizadas nas regras definidas pelo Congresso Nacional e não pelas Forças Armadas ou por regras do presidente da República.