Fake news presidencial: para justificar revisão do patrocínio cultural da Petrobras, Bolsonaro mostra exposições que Petrobras nunca patrocinou

O presidente Jair Bolsonaro proporcionou um caso típico de ‘fake news’ neste domingo 21. Em suas redes sociais, ele postou um vídeo sobre a revisão da política de patrocínio cultural da Petrobras que contém imagens de projetos que não receberam dinheiro da empresa, entre elas a exposição “Queermuseu” e a peça “Macaquinhos”. O vídeo mostra uma reportagem da GloboNews sobre o tema editada para incluir referência a obras envolvidas em polêmicas nos últimos anos. Bolsonaro diz que, “respeitando a aplicabilidade do dinheiro público”, determinou a revisão dos contratos da estatal ao “setor que alguns dizem ser de cultura”.

Na semana passada, a Petrobras apresentou a lista de todos projetos apoiados pela empresa desde 2009. Tanto “Macaquinhos”, que tem uma cena com atores nus, quanto “Queermuseu”, sobre o mundo LGBTQI, não aparecem na relação divulgada pela estatal. Também não consta no documento o filme de tema gay “Hoje eu quero voltar sozinho” (2014), outra obra que aparece no vídeo publicado pelo presidente.

O longa “Lula, o filho do Brasil” (2009) é outro citado na postagem de Bolsonaro. Na lista de patrocinadores do filme não há qualquer menção a Petrobras e ele não consta na relação dos projetos apoiados pela empresa em 2009. Procurada, a estatal informou por meio de sua assessoria que “está apurando” se houve algum tipo apoio a essas obras.

No vídeo também aparece a cineasta Laís Bodansky, diretora presidente da Spcine, dando uma entrevista sobre os cortes de patrocínio da Petrobras. A edição insere uma foto dela ao lado de Wagner Moura, um dos alvos preferidos de movimentos de direita na internet por seus posicionamentos políticos. Bodansky comentou o caso:

— Sobre tirar fotos com artistas segue outra foto (publicada abaixo) para ele adicionar na edição que ele fez na matéria da Globo News, mas que acompanhe o texto explicando o que é a São Paulo Film Commission e sua força de trazer mais recursos e empregos para o país através dos criativos — afirmou.

A diretora da Spcine afirmou que se coloca a disposição do presidente Bolsonaro para levar números da economia criativa para uma compreensão mais profunda do que significa a área da cultura. Segundo Bodansky, a cada centavo colocado diretamente no setor mais 4 centavos são revertidos para toda a sociedade, através da geração de impostos, ou da geração de empregos. A partir do investimento em cultura outros setores são beneficiados, como transporte, alimentação e hospedagem.

— Hoje há empresas que giram uma economia gigantesca e estão ligadas diretamente a critividade. São as maiores empresas do planeta. Então, nós não podemos tratar os criadores, os próprios artistas, que impulsionam toda essa economia, taxando eles como pessoas que não têm significado para o nosso país.