Explicações aos deputados: PSOL quer Moro na Câmara justificando interferências na Lava-Jato

A bancada do PSOL na Câmara vai protocolar a convocação do ministro da Justiça Sergio Moro à Casa para se explicar sobre a série de mensagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil, que mostra que o ex-juiz federal orientou ações do Ministério Público Federal no âmbito da Lava Jato. O partido também vai abrir representação contra o procurador da operação Deltan Dallagnol no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

“[A troca de mensagens] coloca sob suspeita (ainda maior do que antes) toda a operação, mostra o viés político e partidário que orientou sua atuação e mesmo a influência disso no resultado eleitoral de 2018 – que, após a proibição da candidatura de Lula, colocou Jair Bolsonaro na Presidência e Moro no Ministério da Justiça”, observa o partido em nota oficial.

O interlocutor de Moro nas conversas vazados é Dallagnol, do MPF, autor da denúncia que levou à condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do tríplex do Guarujá. Entre os trechos divulgados, está a indicação, por parte de Moro, de uma pessoa “aparentemente disposta” a falar sobre imóveis relacionados ao petista. As mensagens também mostram que o então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba chegou a queixar-se de recursos que poderiam atrasar a execução de pena de um acusado e fez sugestões no cronograma de fases da operação.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Zero Três de Bolsonaro, relaciona o vazamento das conversas ao jornalista Glenn Greenwald, companheiro do deputado federal David Miranda (PSOL-RJ). “Greenwald foi o porta voz do Snowden para vazar tudo que ele sabia sobre dados confidenciais dos EUA no caso conhecido como Wiki Leaks”, afirma o deputado em sua conta oficial do Twitter.

Em resposta às acusações, Miranda disse que os parlamentares, figuras que defendem a Lava Jato, são “simplesmente homofóbicos”. “Me chamam de tudo que é nome, fazem mil teorias de conspiração, mas não conseguem fazer uma pergunta: E aí, Moro, vai renunciar?”, escreveu o deputado também no Twitter, compartilhando a hashtag #VazaJato.

Nas redes sociais, há uma divisão entre os defensores de Moro e a oposição, que afirma que a operação é criminosa e pede a liberdade do ex-presidente Lula. Na manhã de segunda-feira, nos trending topics do Twitter brasileiro — lista que reúne os principais assuntos comentados pelos usuários —, as hashtags também estavam divididas. #EuApoioaLavaJato aparecia em primeiro lugar, seguida por #MoroCriminoso, #EuApoioTheInterceptBR e #VazaMoro.