Expectativa de melhora na economia caiu 15 pontos desde a posse de Bolsonaro; previsão de piora aumentou 9 pontos

O otimismo do brasileiro com a economia e a sua própria situação voltou a cair, mostra pesquisa Datafolha.

Depois de chegar a níveis recordes às vésperas da posse de Jair Bolsonaro (PSL), a porcentagem de pessoas que acreditam que a situação econômica brasileira vai melhorar nos próximos meses caiu de 65%, em dezembro, para 50%. A parcela dos que prevê piora dobrou, de 9% para 18%.

Fenômeno semelhante ocorre com a expectativa sobre a situação do próprio entrevistado. Os que confiam em melhora passaram de 67% para 59%, enquanto os que acham que haverá piora subiram de 6% para 11%.

O Datafolha ouviu 2.086 brasileiros com 16 anos ou mais, em 130 municípios, nos dias 2 e 3 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Além de esperar piora na situação do país e na sua própria, o brasileiro se mostra pessimista, logo no início da gestão Bolsonaro, com todos os três itens econômicos pesquisados: desempregoinflação e poder de compra. 

Quase metade (47%) dos brasileiros acredita que o desemprego vai aumentar, enquanto 29% tinham essa opinião antes da posse de Bolsonaro. Entre os que creem em melhora, o movimento foi inverso: de 47% para 29%.

Enquanto em dezembro a confiança em uma queda da inflação havia triplicado, para 35% das pessoas, agora ela recuou para 22%. Já os que esperam alta na inflação passaram de 27% para 45%.

As expectativas em relação ao poder de compra dividem entrevistados, com um empate técnico: 34% acham que ele vai aumentar (contra 43% em dezembro), 33% acreditam em piora (contra 18% em dezembro) e 30% esperam estabilidade (eram 36% em dezembro).

Para 43% dos eleitores de Bolsonaro, o desemprego vai diminuir; 34% acham que ele vai crescer. Já entre os que votaram em Haddad, 64% esperam aumento no desemprego, e só 13% acreditam em queda.

No caso da inflação, há empate nas opiniões dos eleitores de Bolsonaro: 33% acham que ela vai cair e 31%, que ela vai subir (dentro da margem de erro), enquanto 62% dos que votaram em Haddad preveem alta da inflação e apenas 9% dizem que ela vai cair.

Também em relação à política o humor parece ter amargado. Em dezembro, a maioria dos brasileiros (58%) dizia acreditar que a corrupção iria diminuir. O índice despencou para 35%. Já a parcela dos que acham que ela vai aumentar dobrou, de 19% para 40%.