Executiva do PT quer Marta em chapa à Prefeitura de SP; candidata ou vice; dentro ou fora do partido; assunto tomou conta de reunião com presença de Lula; pragmatismo, ampliação e competitividade

BR: Cresceu a ponto de se consolidar o nome da ex-prefeita Marta Suplicy para fazer parte de uma chapa com o PT na disputa das eleições à Prefeitura de São Paulo, em 2020. O assunto foi dominante na reunião iniciada nesta quinta-feira 21, em São Paulo, da Executiva Nacional do partido, com a presença de Lula. Marta esteve no centro da exposição feita ao comando do partido pelo cientista social Alberto Carlos de Almeida, sobre os cenários em torno da disputa do próximo ano. A aproximação concreta entre o PT e Marta é o primeiro fato político de relevância na disputa eleitoral na maior cidade do País. Indica uma tendência até certo ponto surpreendente, a de o PT admitir a importância de realizar alianças e, objetivamente, buscar concretizar essa diretriz.

O viés favorável à presença de Marta em uma chapa petista é tão forte que o partido já debate sobre se ela poderá ser vice de uma formação liderada pelo ex-prefeito Fernando Haddad ou comandada, nominalmente, por ela própria, mesmo filiada a outro partido político, em aliança com o PT representado na vice. Não houve nenhum fechamento de questão sobre a refiliação de Marta ao PT. Os chefes petistas parecem ter captado a mensagem de que a filiação da ex-prefeita a outro partido do campo de centro-esquerda atenderia ainda melhor às intenções da legenda de se reerguer, com uma vitória direta ou em associação, em São Paulo, por meio da volta à Prefeitura.

Com o aval de Lula, que tem repetido ter sido Marta a melhor prefeita de São Paulo e feito seguidos convites para uma refiliação ao partido, a Executiva praticamente chegou a um consenso sobre a importância de atuar em sintonia com ela. Com 11% de intenções de voto em recente pesquisa eleitoral, Marta pode crescer fortemente com o apoio do partido e, ao mesmo, agregar seu potencial de votos à legenda. Essa soma pode superar os 20% nos próximos levantamentos.

A ex-prefeita coordena um movimento que vem chamando de Frente Ampla, de aglutinação de lideranças e setores de diferentes orientações políticas, mas com o denominador comum do anti-bolsonarismo, da defesa das instituições democráticas e de um programa de governo para a cidade de São Paulo.

Abaixo, notícia de O Estado de São Paulo:

PT considera ter a ex-prefeita Marta Suplicy, atualmente sem partido, na chapa que vai disputar a prefeitura de São Paulo no ano que vem.  O nome dela foi citado como opção à Prefeitura de São Paulo em uma explanação feita pelo cientista social Alberto Carlos de Almeida sobre os cenários para as eleições de 2020 ao diretório nacional do PT, nesta quinta-feira, 21, em São Paulo.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava na reunião. Na véspera, Lula disse em entrevista ao site Nocaute, do escritor Fernando Morais, que Marta foi “a melhor prefeita de São Paulo” e poderia voltar ao PT. Procurada na quarta-feira, a ex-prefeita não quis comentar a declaração de Lula. Em setembro, em entrevista ao Estado, Marta fez mea-culpa em uma tentativa de resgatar vínculo com a esquerda.

Na explanação à direção do PT, Almeida citou Marta e o ex-prefeito Fernando Haddad como opções para 2020. Haddad já disse várias vezes que não quer ser candidato. A última delas foi em uma reunião com Lula e o presidente estadual do PT de São Paulo, Luiz Marinho, na terça-feira, 19.

“Ela tem dito que pode ser candidata a prefeita, a vice ou nem ser candidata, mas quer trabalhar por uma frente para enfrentar a extrema direita”, disse o ex-deputado Jilmar Tatto, um dos interlocutores do partido com a ex-prefeita.

Marta deixou o PT em 2015 para se filiar ao MDB fazendo duras críticas ao partido por envolvimento em casos de corrupção. No ano seguinte ela votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (que também participou da reunião) e passou a ser chamada de “golpista” pelos petistas.

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, uma das principais críticas de Marta durante o processo de impeachment de Dilma, admitiu a possibilidade de a ex-prefeita compor a chapa do partido nas eleições para a prefeitura de São Paulo no ano que vem. “Poderia compor, com certeza”, disse Gleisi. A presidente do PT, no entanto, disse ver poucas chances de Marta voltar ao partido. “Não penso que ele vá voltar para o PT. Nem da parte dela nem da parte do PT dá muita liga”, completou Gleisi.