Economist Paulo Guedes, future economy minister of Brazil's President-elect Jair Bolsonaro arrives for a meeting in Brasilia, Brazil November 20, 2018. REUTERS/Adriano Machado

Equipe econômica frustrada com timidez de Bolsonaro na defesa da reforma da Previdência

BR: Nas contas iniciais, feitas em cima do projeto completo de reforma da Previdência, a equipe do ministro Paulo Guedes calculou em até R$ 1,3 trilhão o seu potencial de economia para os cofres públicos em dez anos. Significa dizer que o caixa do estado brasileiro estaria salvo, com dívida declinante e recuperação da capacidade de investimentos. O crescimento estaria contratado, o otimismo voltaria à iniciativa privada em relação ao equilíbrio do caixa da União. Projetos de criação e ampliação de negócios, em todos os setores, sairiam das gavetas para serem implantados na sociedade.

Os economistas reunidos por Guedes sempre souberam que para alcançar este cenário espetacular, o elemento político seria fundamental para convencer os congressistas de que medidas pontuais de impopularidade seriam compensadas pelo avanço generalizado resultante da reforma. Eles confiavam, neste sentido, em sua principal arma de persuasão: o presidente Jair Bolsonaro.

O problema é que esse artefato, ao que se viu até agora, está negando fogo. Para frustração da equipe econômica, a cada dia, desde a semana passada, quando a PEC entrou na Câmara, o projeto vai sendo atacado por diversos pedidos de exceção que já o desfiguram. A conta positiva de economia de R$ 1,3 trilhão já desce para perto de R$ 800 bilhões – e, se ficar abaixo dessa marca, a reforma será vista simplesmente como um ajuste, incapaz de solucionar o problema estrutural.

O cenário de otimismo quanto a reforma já é outro. A tramitação na Câmara nem começou. As comissões não foram instaladas. E, por pressão do deputado Rodrigo Maia, o trânsito da PEC só irá começar, para valer, depois que as regras para os militares forem apresentadas oficialmente. Sem ter quem o paute no Palácio do Planalto, Maia tem-se sentido à vontade para, semana sim, semana sim, passar pitos no próprio presidente.

Por essa inversão de expectativas em sua própria equipe econômica, Bolsonaro vai sendo apontado, em conversas que saem dos bastidores aos poucos, sem fontes identificadas, como o principal responsável. Desde a posse, o presidente abriu demais o leque de sua agenda de prioridades, comprando brigas fúteis com ministros, como no caso do exonerado Gustavo Bebbiano, perdendo-se em medidas provisórias inúteis, a exemplo da que restringia a Lei de Acesso à Informação, derrotada fragorosamente pela Câmara, e até dando a entender que gostaria de entrar em guerra com a Venezuela. Mais instabilidade, impossível.

Em Davos, no Forum Econômico Mundial, o presidente teve performance pífia, lembram, a boca pequena, interlocutores dos economistas à volta de Paulo Guedes. Ali, quando, em ambiente controlado, no qual financistas do mundo todo adorariam ouvir um enfático discurso de austeridade, Bolsonaro usou não mais que 12 minutos da hora inteira que lhe foi entrega na abertura do evento, cometeu gafes em série, a começar por aquela, e chegou a trombar, no episódio do cancelamento em cima da hora de uma entrevista coletiva, com toda a mídia especializada em economia do mundo. Nesse tropicão, arrastou Guedes, cuja cadeira também ficou vazia em atenção à refugada do chefe, consigo.

No Brasil, enredado por trapalhadas de seus filhos e sem dar a prioridade midiática que a equipe econômica sabe ser necessária à aprovação da reforma, o presidente apenas cumpriu minimamente o papel que dele se esperava ao entregar, pessoalmente, a PEC a Maia. Mais, porém, não fez.

Nesta quarta-feira 27, o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, fez o que Bolsonaro poderia já ter feito ele próprio. Um dos técnicos mais reconhecidos do governo, Almeida adiantou que, sem reforma, o equilíbrio das contas públicas jamais será alcançado e, pelos próximos muitos anos, a economia do Brasil seguirá andando de lado.

É pela economia de capital político que o presidente vem fazendo em relação à PEC da Previdência que os economistas de Paulo Guedes mais o culpam. Diante de um Congresso que vai dando as cartas e avançando seu jogo de interesses corporativos, com razão a equipe econômica já se sente só e isolada por ter feito o que se esperava dela.