Em SP, Covas não sabe o que fazer com proliferação de moradores de rua em bairros ricos

Br2pontos _ Não tem como não encontrar. Em qualquer caminhada pelos bairros nobres da maior cidade do País, a chance de se deparar com moradores de rua em situação de mendicância é, atualmente, de 100%. São Paulo parece ter entregado sua população mais necessitada à própria sorte – e abandonado igualmente o zelo com a limpeza, o asseio e a urbanidade.

Nas portas de farmácias, com mulheres exibindo seus filhos pequenos para pedir por fraudas e medicamentos; na entrada de restaurantes, onde homens desdentados suplicam por um prato de comida; ao longo das calçadas, em que dormem enrolados a cobertores surrados. Eles parecem estar em todos lugares.

Sucessor de João Doria, o atual prefeito é Bruno Covas. A dupla se gabou, dois anos atrás, de ter destruído a região conhecida como cracolândia, no centro da capital paulista, exibindo pela televisão imagens de tratores e escavadeiras destruindo hotéis e sobradinhos antigos do lugar. O ataque espetaculoso à cracolândia não correspondeu, entretanto, a uma necessária intensificação de programa de atenção aos moradores de rua. Uma ação profissionalizante dedicada a esse grande e sofrido contingente, usada como conteúdo de marketing por Doria em sua campanha vitoriosa ao governo do estado, foi simplesmente encerrada sem resultados importantes. Não houve, por outro lado, incremento significativo no número de leitos e albergues municipais. Na soma de tantos erros, deu-se uma diáspora dos moradores de rua que, agora, multiplicam-se pelo centro e bairros nobres da capital paulista.

Neste domingo 10, o jornal Folha de S. Paulo ouviu o prefeito Covas sobre esse quadro de distopia social. Ficou claro que ele, simplesmente, não sabe o que fazer: não soube mostrar nenhum resultado positivo de políticas sociais da Prefeitura, não anunciou nenhuma medida imediata importante e, abrindo mão de sua missão como Poder Executivo, mostrou-se perdido entre os interesses da classe média, que justificadamente quer circular por ruas sem gente espalhada e abandonada pelos cantos, e os moradores de rua, que não podem contar com a necessária assistência do poder público.

Confira aqui o que Bruno Covas disse à Folha:


“A população cobra da gente respeito aos direitos humanos e também cobra que a gente suma com os moradores de rua. Há uma zona intermediária em que a gente pode resolver essa situação, mas garantindo os mesmos direitos que eu, você e a nossa família temos. É preciso um trabalho de convencimento”, diz.

“A rua é muito atrativa, oferece muitas oportunidades, mas [nosso trabalho] é mostrar para ele que há uma saída, há um caminho para sair, que é possível melhorar a condição de vida. Vamos qualificar e intensificar o trabalho dos grupos de abordagem”, continuou. 

Questionado se ações na cracolândia estariam espalhando usuários de droga, disse: “A gente não some com as pessoas. Quando o poder público está presente, muitas vezes [os usuários de drogas] não querem ficar ali. Não é uma ação de dispersão, é que eles vão fugindo do poder público, fugindo da abordagem. Aí nós vamos atrás deles. É um trabalho permanente.” O que se vê é que este “trabalho permanente” está na direção contrária aos bns resultados frente a esse doloroso problema social.