Em Nova York, hotel Marriott Marquis também pode recusar ser sede de prêmio a Bolsonaro; “Vergonhoso”, alerta senador estadual democrata

BR: O perfil homofóbico, a aversão à diversidade social, as declarações belicosas e a postura politicamente incorreta podem custar mais uma porta fechada ao presidente Jair Bolsonaro em Nova York. Após as recusas públicas do Museu de História Natural e do restaurante Cipriani em sediar a homenagem de Personalidade do Ano ao presidente brasileiro, também o hotel Marriott Marquis, situação na região de Times Square, pode adotar a mesma atitude.  

Ao tomar conhecimento da cessão de um dos salões do hotel para o ato, a ser realizado no dia 14 de maio, o senador estadual democrata Brad Hoylman escreveu uma carta ao presidente do grupo Marriott, maior rede hoteleira do mundo, lembrando as qualidades da organização como uma das melhores empresas do mundo para o trabalho do grupo LGBT e a característica de Nova York de ser uma cidade multicultural e aberta à diversidade. Em termos duros, o democrata registrou que Bolsonaro representa uma ameaça a esses valores:

“Ele é um homofóbico perigoso e violento, que não merece uma plataforma pública de reconhecimento em nossa cidade”.

Eleito com votos da região do Times Square, onde fica o Marriott Marquis, Hoylman, que é homossexual, disse ficar “enojado com a possibilidade de essa região receber alguém tão preconceituoso”. Ele acrescentou esperar que “assim como vários outros lugares analisaram e rejeitaram essa possibilidade, espero que o Marriott vá ouvir a preocupação dos nova-iorquinos e cancelar o evento”.

A Rede Marriott tem há tempos uma política de apoio à comunidade LGBT, incluindo funcionários e empregados. Em 2014, a empresa fez uma campanha publicitária de sucesso – “O amor viaja” – na qual casais gays e lésbicas aparecem felizes em seus hotéis. No ano seguinte, a Rede foi eleita como o melhor lugar para trabalhar em termos de inclusão LGBT.

Para o senador, seria “vergonhoso” que uma empresa com essas características aceite a homenagem a um homem que já disse ser “um homofóbico assumido” e que preferia “um filho morto a um homossexual”. Ontem, Bolsonaro declarou afirmou que “o Brasil não pode ser um país do mundo gay, de turismo gay”, despertando reações negativas na Europa e nos EUA.

Como se vê, Marriott e Bolsonaro parecem não se misturar, mas, até o momento, a homenagem está mantida em um dos endereços da rede.