Em nota, Moro nega ter combinado proteção no STF: “Revolta”; em áudio, pede desculpas ao MBL: “Tontos”; à Câmara, desiste de se explicar aos deputados

O ministro Sérgio Moro divulgou nota neste domingo, 23, de “repúdio” à divulgação de novos diálogos publicados pela Folha e o site The Intercept Brasil que sugerem que, em 2016, membros da força-tarefa do Ministério Público Federal se articularam para proteger 0 titular da pasta e evitar tensões com o Supremo Tribunal Federal após divulgação de conteúdo de delação premiada de um executivo da Odebrecht que citava políticos com foro privilegiado. Pela manhã, Moro havia publicado uma frase em latim pelo Twitter cuja tradução é: “Montanhas vão parir um ridículo rato“.

Por meio da assessoria do Ministério da Justiça, Moro informou que comunicou à CCJ da Câmara que não vai comparecer a audiência marcada para a quarta-feira 26. Ele não marcou nova data para falar aos parlamentares. Moro tem viagem marcada para os Estados Unidos, onde conhecerá unidades de espionagem da CIA, em El Paso.

Áudio divulgado neste domingo 23 pelo MBL (Movimento Brasil Livre) mostra o ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) pedindo desculpas por supostamente tê-los chamados de “tontos” em mensagens trocadas com integrantes da Operação Lava Jato em 2016.

“Consta ali 1 termo que não sei se usei mesmo. Acredito que não. Pode ter sido adulterado. Mas queria pedir minhas escusas se eventualmente utilizei porque sempre respeitei o Movimento Brasil Livre”, disse o ministro.

A gravação foi divulgada no canal do Youtube do deputado estadual Arthur Mamãe Falei (DEM-SP), que é do MBL.

No tocante à combinação de proteção no Supremo, as ações supostamente realizadas pelos procuradores buscavam amenizar um confronto com o STF em meio a divulgação de papéis com nomes de políticos que foram expostos indevidamente. Caberia antes à suprema corte autorizar a investigação de parlamentares que tinham direito a foro especial.

De acordo com as mensagens, o fato criou um novo atrito com o STF e Moro ficou contrariado com a situação. Um dia antes, o tribunal repreendeu o juiz por ele ter publicizado as escutas telefônicas que envolviam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

A nota oficial de Moro é a seguinte:

“O Ministro da Justiça e Segurança Pública não confirma a autenticidade de mensagens obtidas de forma criminosa e que podem ter sido editadas ou adulteradas total ou parcialmente. Repudia ainda a divulgação de suposta mensagem com o intuito único de gerar animosidade com movimento político que sempre respeitou e que teve papel cívico importante no apoio ao combate à corrupção. Causa revolta que se tente construir um enredo com mensagens, cuja autenticidade não se pode reconhecer, a partir de fatos que envolvem um processo judicial público e que só atestam a correção e isenção com que o ministro atuou enquanto juiz federal na Operação Lava Jato. Como pode-se verificar no andamento processual, o material referente a pessoas com foro privilegiado foi remetido ao Supremo Tribunal Federal no primeiro dia útil após a Polícia Federal ter juntado aos autos. Após análise, o STF os devolveu à 13° Vara Federal de Curitiba mantendo consigo apenas a parte que envolvia pessoas com foro privilegiado. Esta é a verdade, que independe de mensagens cuja autenticidade não se pode aferir. Ressalta-se que a invasão criminosa de celulares de autoridades públicas é objeto de investigação pela Polícia Federal”, diz nota do ministério.