Em campanha; Bolsonaro chega a São Paulo para liderar ‘motociata’; acusado de estelionato entre os organizadores; campanha eleitoral e provocação a João Doria

O presidente Jair Bolsonaro confirmou participação neste sábado, 12, na capital paulista, de uma motociata em apoio ao seu governo. A manifestação foi organizada por integrantes de clubes de tiro e de motociclismo do interior de São Paulo e de Estados vizinhos. O ato foi divulgado também por parlamentares da base aliada ao presidente e grupos que, em São Paulo, vinham organizando protestos contra o governador João Doria (PSDB).

O ato deve ter início por volta das 10h, saindo do Sambódromo do Anhembi, na zona norte, e seguindo pela Marginal do Tietê até a Rodovia dos Bandeirantes. O trajeto prevê um percurso até o trevo do km 47, em Jundiaí, para então retornar à capital. Na cidade, o grupo seguirá até o obelisco do Ibirapuera. Antes do evento, Bolsonaro deve participar de uma cerimônia no Colégio Militar de São Paulo.

Durante o percurso, o painel eletrônico das rodovias, segundo apurou o Estadão, trará a seguinte mensagem: Use máscara. Doria afirmou durante entrevista na quarta-feira, no Palácio dos Bandeirantes, que, caso Bolsonaro não use a proteção durante a motociata, será multado por desrespeito às normas sanitárias. “Ele será multado como qualquer outro cidadão que não usar máscara”, disse. Nesta sexta, pela manhã, o presidente respondeu questionando se Doria era o “doninho” de São Paulo.

Desde quarta-feira, a capital paulista começou a receber integrantes de motoclubes paulistas, fluminenses, mineiros, sul-mato-grossenses e paranaenses. Muitos estão hospedados em hotéis próximos ao sambódromo, local da concentração. Em um desses hotéis, funcionários confirmaram ao Estadão o aumento da ocupação.

No último dia 28, Bolsonaro participou de ato similar, com grande público, no Rio, onde foi recebido pelo governador Cláudio Castro (PL) e dividiu palanque com o general e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello – o episódio causou desgaste ao Exército, que decidiu não punir o general da ativa pela participação de ato político.

Em São Paulo, os motociclistas e atiradores começaram a convocar os atos nas redes sociais, mas com menor intensidade do que o evento no Rio. Levantamento feito com o programa Brandwatch, de análise de redes, mostra que, dois dias antes do ato do Rio, havia mais de 344 mil postagens sobre o evento; desta vez, até anteontem, foram 31 mil publicações.

Um comerciante da zona sul da capital que, no começo do ano, entrou no radar da inteligência da Polícia Militar por causa de ameaças ao governador João Doria, também começou a convocar a população para a manifestação. Jackson Vilar (cujo nome de batismo é Jarkson), que também é pastor, passou a divulgar o evento como “Acelera para Cristo com Bolsonaro”. Ele passou a cadastrar participantes pela internet e divulgou um código Pix para receber doações. O gesto provocou críticas de motociclistas.

Estadão tentou contato com Vilar, que não respondeu. Ao confirmar que vai participar do ato, o comerciante terá de ficar na garupa: sua carteira de habilitação é categoria “B”, que permite a condução apenas de automóveis. Vilar já foi indiciado por estelionato, em 2017, pelo 27.º Distrito Policial (Ibirapuera).