“Ele faz as merdas dele lá e a gente trabalha aqui sem conversar nada com ele”; é Paulinho da Força sobre a relação Congresso-Bolsonaro

Na visão de parlamentares do chamado Centrão, a relação entre o presidente Jair Bolsonaro e o Congresso parece ter superado a fase de embates e entrado em um novo momento, em que congressistas articulam assuntos e votações de interesse nacional sem consultar a opinião do governo. A notícia é do Congresso em Foco.

“A relação com ele nunca existiu. A gente resolveu trabalhar sem falar com ele. Deixamos ele tocar a vida dele lá, ele faz as merdas que ele quer fazer  e a gente trabalha sem perguntar e sem conversar nada com o governo”, afirma o vice-líder do Centrão, Paulinho da Força (Solidariedade-SP).

O Centrão reúne mais de 200 deputados e é composto pelo PL, PP, PSD, MDB, Republicanos, DEM, Solidariedade, PTB, Pros, Avante e Patriota.

“No Congresso a gente conversa diretamente com os líderes do Congresso e com os presidentes dos partidos, sem ter a opinião do governo. Ele [Jair Bolsonaro] não é ouvido para nada. O que o governo faz que a gente acha que é positivo a gente aprova, e o que a gente não concorda… Enfim, o Congresso age com muita independência do governo”, afirmou.

O deputado diz que essa é uma situação atípica. “Em 13 anos de Congresso em nunca vi isso. O governo sempre teve muita influência no Congresso, sempre está lá, dá opinião e participa. Em todas as comissões tem gente importante do governo que participa, no Plenário tem gente de importância do governo dando palpite”, conta

MP 870

Questionado sobre se há uma tentativa de aproximação do líder do governo na Câmara, Vitor Hugo (PSL-GO) com os partidos de centro, Paulinho foi taxativo em afirmar que não. “Com nós não. A gente também não liga muito. É isso que eu estou te falando, a gente não conhece nada do governo. O Vitor Hugo é um bobo da corte. O cara tem pouco tempo de Casa, quem é que vai ouvir ele? O cara não entende nada dos bastidores do Congresso”, disse Paulinho.